foto: Timothywildey / Flickr //

Um grupo de cientistas descobriu no oceano Índico, sob as águas das ilhas Maurícias, restos do antigo continente chamado Gondwana que se desintegrou há 200 milhões de anos.

 O Gondwana incluía a maior parte das zonas que constituem os continentes do Hemisfério Sul, incluindo a Antártida, América do Sul, África, Madagáscar, Seicheles, Índia, Austrália, Nova Guiné e Nova Zelândia.

A descoberta, publicada na revista britânica Nature Communications, aconteceu após ter sido encontrado zircónio com 3 mil milhões de anos, sobre a superfície das ilhas.

Os especialistas constataram que não é comum encontrar restos deste antigo mineral – que se produz principalmente em rochas dos continentes – na superfície de uma ilha tão jovem.

Concluíram, portanto, que os restos encontrados no oceano Índico são um pedaço de crosta que posteriormente foi coberto por lava durante as erupções vulcânicas na ilha.

Llywelyn2000 / Wikimedia

Da Pangea ao presente, passando por Gondwana

Da Pangea ao presente, passando por Gondwana

O estudo, realizado pelo geólogo Lewis Ashwal, da Universidade de Witwatersrand, Michael Wiedenbeck, do Centro Alemão de Investigação para as Geociências e Trond Torsvik, da Universidade de Oslo, sustenta que os restos de zircónio são demasiados antigos para pertencerem às ilhas Maurícias.

Portanto, os cientistas estão convencidos que se trata de uma pequena peça do continente antigo que se rompeu desde a ilha de Madagáscar, quando a África, a Índia, a Austrália e a Antártida se separaram e formaram o oceano Índico.

Segundo Ashwal, o fato de ter sido encontrado zircónio com tantos anos demonstra que nas ilhas Maurícias “podem existir materiais da crosta terrestre muito mais antigos”.

De acordo com os resultados, sustenta-se que a ruptura não implicou “uma simples divisão do supercontinente Gondwana”, mas sim uma “fragmentação complexa que aconteceu com fragmentos de crosta continental de tamanhos variáveis deixados à deriva dentro da bacia do oceano Índico em evolução”.

O geólogo explica que o zircónio é um mineral que contém urânio, tório e chumbo e, ao sobreviver muito bem ao processo geológico, apresenta um rico registo de processos geológicos que podem datar-se com grande precisão.

Esta nova descoberta trás novos conhecimentos sobre os mecanismos das placas tectónicas e sobre os jovens epicentros oceânicos.

ZAP // EFE

COMPARTILHAR

DEIXE O SEU COMENTÁRIO

Por favor escreva o seu comentário!
Por favor introduza o seu nome aqui

Anti Spam * * Tempo esgotado. Por favor recarregue o CAPCHA.