foto: Michael Brace / Flickr

O homem de Neandertal, o parente mais próximo dos humanos atuais e extinto há 29 mil anos, tinha hábitos alimentares variados e conhecimentos sobre plantas medicinais, incluindo o uso do que seria hoje a “aspirina”.

Um estudo liderado pelo Centro Australiano de ADN, em colaboração com a Escola Odontológica da Universidade de Adelaide e com a Universidade de Liverpool, Reino Unido, a análise do ADN encontrado na placa dentária dos antepassados do homem deu informações surpreendentes sobre o seu comportamento, evolução histórica e dieta.

Os autores do estudo, publicado esta quarta-feira na revista Nature, concluíram por exemplo que os neandertais usavam medicamentos à base de plantas para tratar a dor de cabeça, e que havia diferenças dietéticas entre grupos distintos.

“A placa dentária, que prende microrganismos que vivem na boca, agentes patogénicos encontrados nos aparelhos respiratório e gastrointestinal, bem como pedaços de comida presos nos dentes, preservou o ADN por milhares de anos“, explicou a principal responsável pelo estudo, Laura Weyrich, do Centro Australiano de ADN Antigo.

Assim, disse, a análise genética desse ADN que ficou preso na placa dentária representa uma “janela privilegiada” sobre o estilo de vida do homem de Neandertal, o que comia, as doenças de que sofria ou o ambiente como fator que afetava o comportamento.

A equipa internacional analisou e comparou amostras da placa dentária de quatro esqueletos de homens de Neandertal encontrados em cavernas em Spy, na Bélgica, e em El Sidrón, Espanha. A idade dos quatro varia entre 42.000 e 50.000 anos.

“Descobrimos que os neandertais de Spy consumiam rinocerontes e ovelhas selvagens, acompanhadas por cogumelos”, disse Alan Cooper, diretor do Centro, acrescentando que os de El Sidrón não mostraram indícios de consumo de carne mas pareceram antes consumidores de uma dieta à base de vegetais e sementes.

“Uma das descobertas mais surpreendentes foi feita num Neandertal de El Sidrón, que tinha um abcesso dentário. A placa mostrou que também tinha um parasita intestinal que lhe causava diarreia aguda, pelo que claramente estava muito doente”, explicou.

Ele estava a comer choupo, que contém ácido salicílico, o ingrediente ativo da aspirina, para tirar a dor, e também detetámos um antibiótico natural que não encontrámos noutros espécimes”, disse o diretor.

Segundo o investigador, o homem de Neandertal tinha um bom conhecimento das plantas medicinais e das suas propriedades anti-inflamatórias e analgésicas e automedicava-se. Mas o mais surpreendente, adiantou, foi o uso de antibióticos 40.000 anos antes de ser descoberta a penicilina.

A análise científica permitiu ainda descobrir que vários micróbios causadores de doenças já eram “compartilhados” pelos antigos humanos e que a comunidade microbiana oral não se alterou na história recente.

// Lusa

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