O secretário-geral do PS, António José Seguro, criticou hoje a “sensibilidade” do primeiro-ministro, por, pouco depois de aprovar um “brutal” Orçamento do Estado, ter pedido “mais um esforço” às famílias com filhos no ensino secundário.

“Que primeiro-ministro é este? Onde está a sensibilidade do primeiro-ministro, que, mal aprova um orçamento com um aumento de 3,5 mil milhões de euros em impostos, no dia seguinte apressa-se a dizer que as famílias têm de pagar mais para manter os seus filhos a estudar no secundário?”, questionou António José Seguro.

O líder socialista, que discursou em Valença perante várias dezenas de militantes, afirmou que Passos Coelho “não conhece o país que governa” e que este tipo de medidas faz recordar um Portugal “pobre”, no qual “só os filhos das famílias que tinham dinheiro é que podiam continuar os estudos”.

“Nós não queremos esse país, nós não merecemos esse país”, declarou.

Em entrevista à TVI, na quarta-feira, o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, disse que a Constituição da República Portuguesa permite mais alterações às funções do Estado no setor da educação do que no da saúde, no âmbito do corte previsto de “pelo menos” quatro mil milhões de euros na despesa pública.

“Isso dá-nos aqui alguma margem de liberdade, na área da educação, para poder ter um sistema de financiamento mais repartido entre os cidadãos e a parte fiscal direta, que é assegurada pelo Estado. Do lado da saúde temos menos liberdade para isso”, considerou Passos Coelho.

Na intervenção de ontem, em Valença, o secretário-geral do PS rejeitou ainda os anunciados cortes na despesa com as funções sociais do Estado.

“Então não é nos momentos de crise que as pessoas precisam mais do Estado, da solidariedade de todos nós?”, questionou António José Seguro, enfatizando, de novo, a necessidade de substituir uma política apenas de austeridade por medidas crescimento económico e emprego.

“Acredito que é possível sairmos desta crise sem abandonarmos nenhum português”, concluiu.

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