foto: United Nations / Flickr //

Pelo menos quatro civis foram mortos quando “capacetes azuis”, da missão das Nações Unidas na República Centro-Africana (MINUSCA), abriram fogo contra uma multidão, no oeste do país, disseram hoje à agência Efe as autoridades locais.

 Na tarde de sexta-feira, registaram-se momentos de tensão em Bouar, quando um falso alarme de um ataque armado causou pânico entre a população, que começou a correr pelas ruas, assustada, e à procura de um local para se esconder.

“As forças de paz da missão da ONU abriram fogo contra a multidão e mataram quatro civis, que corriam em direção ao campo da MINUSCA para procurar refúgio”, explicou o deputado de Bouar, Benjamin Kaigma, que precisou que os soldados são do Bangladesh.

As autoridades locais pediram à missão das Nações Unidas que explique por que motivo os soldados abriram fogo contra civis indefesos.

O porta-voz da MINUSCA, Vladimir Moteiro, disse que os soldados dispararam porque a base militar “sofreu uma incursão de uma multidão de civis”.

“Entendeu-se que era uma incursão porque os civis queriam aceder ao armazém de munições da base, pelo que os encarregados de proteger este armazém dispararam”, acrescentou o porta-voz da missão.

A MINUSCA, criada em setembro de 2014 mediante a resolução 2149 do Conselho de Segurança da ONU, tem cerca de 12.000 efetivos de diferentes nacionalidades para manter a paz neste país, um dos mais pobres do mundo. Portugal participa nesta missão com 160 militares.

As tarefas da MINUSCA, entre outras, são a proteção dos civis, a contenção da violência e o apoio às autoridades para estabelecer uma transição política através de um diálogo político inclusivo.

Esta missão da ONU tem sido alvo de duras críticas nos últimos meses por recorrentes abusos sexuais, em muitos casos a menores, alegadamente cometidos por “capacetes azuis”.

Estes casos levaram as Nações Unidas a adotar medidas de “tolerância zero” para este tipo de crimes, tendo decidido repatriar centenas de soldados e realizar investigações, além de programas para assistir as vítimas.

A República Centro-Africana vive um complicado processo de transição, desde que em 2013 os rebeldes do grupo extremista Seleka depuseram o Presidente François Bozizé, o que desencadeou uma onda de violência sectária entre os muçulmanos e as milícias anti-Balaka, maioritariamente cristãs.

A guerra civil já causou milhares de mortos, apesar de não haver números fiáveis, e obrigou cerca de um milhão de pessoas a abandonar os seus lares.

// Lusa

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