FOTO: Nick Perrone / Flickr //

Cerca de 10% dos franceses nunca ouviram falar do Holocausto. Entre os jovens de 18 a 34 anos, o número sobre para 19%.

Estes são os dados de um estudo realizado pelo Ifop em parceria com o departamento  interministerial de luta contra o racismo, o antissemitismo e a homofobia, publicado em exclusivo pela rádio francesa France Info.

A pesquisa, que contou com a participação de 1014 pessoas, revela outros dados alarmantes: 21% dos franceses não sabem em que período ocorreu o genocídio dos judeus. Outros 79% dos entrevistados responderam que o Holocausto, que culminou na morte de mais de 6 milhões de judeus, ocorreu durante a Segunda Guerra Mundial.

O estudo ainda mostra que 9% dos inquiridos acreditam que as mortes ocorreram entre as duas grandes guerras, 6% durante a Primeira Guerra Mundial e 4% no início do século XX.

Para 2%, a apelidada “solução final”, aplicada no regime de Hitler, ocorreu durante a Guerra Fria. Entre os franceses com menos de 35 anos, 30% ignoram que o Holocausto ocorreu durante a Segunda Guerra Mundial.

Os resultados surpreendem o diretor do Observatório de Educação da Fundação Jean-Jaurés, Iannis Roder. Segundo o diretor, nas escolas francesas, os professores abordam o Holocausto no primeiro e segundo grau de ensino. “Nunca ter ouvido falar do genocídio dos judeus é praticamente impossível”, disse em declarações à rádio France Info.

Roder questiona se não haverá uma simples “provocação” nas respostas. “Mas o resultado também nos faz questionar aquilo que os jovens aprendem ou querem aprender”, afirmou, acrescentando que, “ou se os professores abordam a questão de forma muito rápida e os alunos não entendem nada” sobre o assunto.

“É preocupante”, considerou Francis Kalifat, presidente do Conselho Representativo das Instituições judias da França. “Temos que pensar na transmissão da memória do Holocausto. As testemunhas vivas estão a desaparecer e é um desafio continuar este trabalho sem estas pessoas, sem a força dos seus depoimentos”.

Segundo Kalifat, há certas escolas têm dificuldade em abordar a questão porque algumas classes “recusam-se a ouvir falar do genocídio judeu”.

O primeiro-ministro francês, Edouard Philippe, anunciou no passado mês de novembro um aumento de 69% de atos antissemitas nos nove primeiros meses do ano. A mesma pesquisa citada pelo líder do Executivo francês revelou que 53% dos franceses acreditam que os judeus estejam expostos à violência na França.

“As pessoas têm consciência que, em 2018, alguém pode ser morto porque é judeu”, diz Kalifat, recordando os atentados contra a escola judia Ozar Hatorah, em Toulouse, em 2012, e o supermercado Hyper Cacher, em Vincennes, em 2015.

ZAP // RFI

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