foto: WIS Photography / Flickr

As ações humanas podem ter consequências no ambiente e criar um efeito de arrefecimento. Esta consciência levou um grupo de cientistas da Universidade de Harvard a propor uma experiência a que chamaram de “efeito de perturbação estratosférica controlada” ou SCoPEx.

A experiência consiste em usar uma balão de teste que libertaria aerossóis a uma altura de cerca de 20 quilómetros na atmosfera terrestre, com o objetivo de alterar as propriedades reflexivas das nuvens, explica o Diário de Notícias.

No entanto, é esta manipulação atmosférica, ou seja, a geoengenharia solar, que torna este processo controverso. E, embora o interesse neste campo da ciência seja cada vez maior, os efeitos e consequências são muito pouco conhecidos.

Ainda assim, refere o The Guardian, os países em desenvolvimento reclamam para si o direito de terem uma palavra mais forte na hora de decidir o que fazem em relação ao aquecimento global, visto que são os mais lesados pelo aumento das temperaturas.

Desta forma, um grupo de investigadores do Bangladesh, Brasil, China, Etiópia, Índia, Jamaica e Tailândia juntaram-se para defender, num artigo publicado este mês na Nature, que deviam ser os países em desenvolvimento a chefiar as investigações nesta área.

O efeito de arrefecimento da atmosfera é conhecido como “trilhos de condensação de navios”, isto é, os rastos de poluição criados pelos navios em alto mar contêm mais gotas de água do que as nuvens naturais, fazendo das nuvens mais brilhantes e mais reflexivas à luz do sol.

“A geoengenharia solar – injetar partículas de aerossóis na estratosfera para afastar parte da luz do sol que entra na atmosfera – tem vindo a ser analisada como uma forma rápidade arrefecer o planeta”, escreveram os cientistas na Nature.

Mas à um senão e tem a ver com o impacto que esta técnica pode ter. O diretor do centro de estudos avançados do Bangladesh, Atiq Rahman, disse à Reuters que esta técnica tem efeitos desconhecidos e que estes podem ser perigosos.

“É claro que a geoengenharia solar pode ser perigosa, mas precisamos de saber se para países como o Bangladesh, será mais perigoso ou menos do que a subida de 1,5ºC previstos do aquecimento global”, cita o DN.

“Isto é muito importante para as populações dos países em desenvolvimento e as nossas vozes precisam de ser ouvidas“, conclui Rahman.

ZAP //

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