Cerca de 35 mil pessoas, segundo as autoridades policiais, percorreram o centro de Moscovo numa marcha contra a revolução de Maidán, que há cerca de um ano tirou do poder o então presidente ucraniano, Víktor Yanukóvich.

Os manifestantes, convocados através de uma centena de redes sociais, transportavam bandeiras russas e cartazes com frases contra uma revolução que muitos russos, incluindo as autoridades de Moscovo, classificam como um golpe de Estado.

“Não perdoaremos o assassinato dos nossos irmãos”, “Hoje [a Praça] Maidán, amanhã a guerra?”, “Rússia contra Maidán”, eram algumas das frases que se conseguiam ler nos cartazes, segundo a agência de notícias espanhola EFE.

O protesto terminou com uma concentração na Praça da Revolução, próxima da Praça Vermelha e praticamente junto ao Kremlin, uma zona vedada às manifestações da oposição extraparlamentar russa.

Apesar do número de manifestantes ter ultrapassado largamente as 10 mil pessoas para as quais tinha sido dada autorização, a polícia de Moscovo não multou os organizadores.

“Para que haja lugar a multa, a quantidade de manifestantes deve provocar consequências negativas, como ameaça à vida dos cidadãos ou obstrução ao funcionamento normal das infraestruturas municipais, algo que não constatámos”, justificou o chefe de segurança da polícia moscovita, Alexéi Mayórov.

Há cerca de um ano, entre 18 e 20 de fevereiro de 2014, e depois de três meses de protestos contra o regime de Yanukóvich, o centro da cidade de Kiev transformou-se no palco de sangrentos confrontos que tiraram a vida a mais de cem pessoas, entre manifestantes e polícias.

Dois dias depois, Yanukóvich foi deposto do seu cargo de presidente pelo Parlamento ucraniano, que, ao constatar que o chefe de Estado tinha fugido de Kiev na madrugada de 22 de fevereiro, demorou apenas algumas horas a acusá-lo de abandono de funções para o destituir do cargo.

O ex-presidente ucraniano fugiu para a Rússia, onde permanece refugiado até hoje apesar da Interpol ter emitido uma mandado de busca internacional contra Yanukóvich por uma série de irregularidades financeiras.

Pouco tempo depois, as novas autoridades ucranianas pediram ao Tribunal Penal Internacional, com sede em Haia, para o julgarem por crimes contra a humanidade pela sua responsabilidade na repressão das manifestações.

Agência Lusa
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