foto:Geoff Derrin / Wikimedia

A resina destas plantas inclui flavonóides, um tipo de componente que impede que as células cancerígenas rejeitem os medicamentos.

As folhas de uma planta usada pelas primeiras populações australianas podem ser o segredo para o tratamento do cancro.

Os extratos de resina crus da espécie Eremophila galeata aparentemente impedem as células cancerígenas de rejeitar os medicamentos com bombas de efluxo – ou seja – as folhas removem o mecanismo de defesa das células contra a quimioterapia.

Há já milhares de anos que a resina desta família de plantas australiana é usada pelas populações aborígenes nativas em rituais de fumo para a saúde ou como cataplasmas para problemas de pele.

No entanto, as ferramentas para se poder estudar estas plantas a nível bioquímico são mais recentes e só agora podemos descobrir mais sobre os poderes desta espécie, escreve o Science Alert.

Hoje em dia, a resistência dos tumores cancerígenos são um dos maiores obstáculos aos tratamentos, como a quimioterapia. “Já temos produtos que inibem as bombas de efluxo, mas eles não trabalham optimamente, porque não são específicos o suficiente e têm muitos efeitos secundários“, explica o botânico Dan Stærk, da Universidade de Copenhaga, um dos autores de um novo estudo.

E. galeata apresenta-se como uma solução promissora, não só devido ao historial do seu uso medicinal, mas também por ter flavonóides – um tipo de componente de plantas geralmente não-tóxico que inibe as proteínas transportadoras que empurram os medicamentos para fora das células. Estas plantas têm também propriedades anti-virais, anti-bacterianas, anti-diabéticas e anti-inflamatórias.

A nova investigação concluiu que a resina desta espécie aumenta significativamente o efeito da quimioterapia nas células HT29 do cancro do cólon. O teste à acumulação de corante sugere que os flavonóides na resina bloquearam um grande número de bombas de efluxo encontrados nas células de cancro.

“As bactérias resistentes a antibióticos, por exemplo, parecem produzir grandes quantidades de bombas de efluxo quase idênticas, o que as tornou extremamente boas a empurrar os antibióticos para fora das células. Esta substância natural, o flavonóide, tem como alvo esta proteína específica, o que nos faz especular sobre se podem ter um papel no tratamento à resistência aos antibióticos“, afirma a botânica Malene Petersen.

No entanto, o uso dos conhecimentos indígenas para o avanço da medicina levanta também questões éticas, nomeadamente sobre as compensações e créditos devidos a estes grupos, cujo conhecimento tem sido historicamente ignorado pela ciência ocidental.

Os autores desta investigação apelam a que quem use as informações para a criação de produtos considere “partilhar os benefícios com as comunidades aborígenes ou grupos nas áreas onde estas espécies crescem”, mas não há garantias legais de que isso tenha que acontecer.

   ZAP //

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