É discutível a necessidade de se realizarem ou não exames escolares em idades prematuras.

Percebe-se que ao nível do ensino secundário os exames permitem ordenar hierarquicamente os alunos, com vista à sua entrada no ensino superior, já o seu objetivo relativamente à aplicação aos níveis de ensino inferior, não existe nenhum estudo que ateste os seus benefícios.

O Governo pretende acabar com os exames no 4ºe 6º anos e substitui-los por provas de aferição no 2º e 8º anos. Os exames, ao contrário das provas de aferição são eliminatórios, o que pode de alguma forma ter um peso negativo em idades mais pequenas. Sabemos que na maioria dos casos as notas dos exames não têm grande influência, mas nos casos em que têm, mesmo que sejam poucos, podem ser sinónimo de exclusão.

Existe ainda um outro risco associado aos exames e às escolas, o facto de serem os indicadores de sucesso das escolas através dos rankings, o que leva a que os conteúdos sejam moldados de modo a melhor preparar os alunos para os ditos exames. O risco que se corre em transformar o processo de aprendizagem em aulas de preparação para garantir um bom resultado nos exames, desvirtua completamente o sistema de ensino tornando os objetivos dos programas em objetivos de avaliação de exame. Muitos alunos, por se prever que não terão um bom resultado nos exames, são empurrados para fora do sistema de ensino, uma vez que serão assim avaliados como alunos externos, não contando para a média de notas das escolas.

Não é possível que um sistema de ordenação, que todos sabem que é artificial e em que não exista nenhum estudo que ateste a sua eficácia se mantenha, é por isso positiva esta mudança dos exames para as provas de aferição uma vez que, estas poderão mais facilmente demonstrar lacunas e alterá-las a meio de cada ciclo permitindo detetar erros ainda a tempo de os corrigir.

A grande diferença entre as provas de aferição e os exames, não está no rigor, uma vez que este se mantém na sua produção e correção, mas na sua real eficácia enquanto meio de preparação e aquisição das metas deixando de ser uma avaliação dissimulada e discriminatória dos alunos.

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