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A última vez que Dong Mingzhu tirou férias foi em 1991. Presidente de uma das maiores empresas da China, foi escolhida pela revista Forbes a executiva do ano do país – e há 26 anos não sabe o que é ter um dia livre.

 Viúva, a executiva de 62 anos comanda a Gree Electric Appliances, a maior fabricante de aparelhos de ar condicionado chinesa, com um valor de mercado de 22 mil milhões de dólares e 70 mil funcionários.

Nas suas entrevistas, Dong costuma dizer que “não tem outra alternativa” a não ser continuar na Gree para toda a vida. As declarações demonstram a sua devoção pela empresa, em que começou como vendedora, e que se tornou um gigante na China. Em cada cinco aparelhos de ar condicionados vendidos na China, dois são da Gree Electric.

Mas a executiva reconhece que esta dedicação teve impacto na sua vida pessoal. Dong contou à TV chinesa que nunca assistiu às formaturas do filho – dos primeiros anos na escola até à universidade. “Para que o mundo seja um lugar melhor, um pequeno grupo de pessoas tem que fazer sacrifícios”, declarou na ocasião.

Descanso garantido

Os trabalhadores chineses têm direito a férias. Segundo o Chinalawblog.com, site especializado na legislação do país, todos os empregados que trabalham de forma contínua durante um ano devem ter férias remuneradas.

Nos primeiros 10 anos de serviço, o funcionário chinês tem direito a cinco dias de férias por ano. O período aumentará gradualmente e chega a até 15 dias anuais para quem estiver há 20 anos ou mais numa empresa.

A China tem emergido como potência global no sector do turismo, na medida em que os seus cidadãos têm um maior rendimento e mais tempo disponível para as actividades recreativas dentro e fora do país.

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Dong Mingzhu costuma dizer que terá muito tempo para descansar quando se aposentar

Dong Mingzhu costuma dizer que terá muito tempo para descansar quando se aposentar

Em maio do ano passado, o grupo Tiens – de biotecnologia e produtos para a saúde – foi notícia na China ao oferecer férias em Espanha para 2.500 dos seus 10 mil funcionários.

De acordo com o jornal britânico The Guardian, o bilionário chinês Li Jinyuan, dono do grupo Tiens, gastou o equivalente a 8 milhões de dólares do seu próprio bolso para levar os funcionários a passear em Espanha.

A empresa fretou 20 aviões e reservou 1.650 quartos de hotel. Em 2015, Li Jinyuan tinha já levado outros 6.400 funcionários a França.

Mas a executiva Dong Mingzhu está convencida de que o sacrifício da sua vida pessoal se justifica para garantir o bem-estar dos seus milhares de funcionários. E costuma dizer que terá muito tempo para descansar quando se aposentar.

ZAP // BBC

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