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Opinião Global**Por Dominick George**15/12/2012
dominick.george@ipressglobal.com |

pedofiliaEra minha intenção não abordar este tema senão quando ele se tornasse ainda mais “quente”, mas a comunicação social da passada semana deu-lhe demasiado relevo. Começarei por afirmar, para que não restem quaisquer dúvidas sobre o que a seguir direi, que não conheço a não ser do que dela constatei no decorrer do chamado “processo Casa Pia”, a Drª. Catalina Pestana. Ela em declarações ao jornal “Público”, terá afirmado conhecer pelo menos cinco casos de práticas pedófilas praticadas por sacerdotes aqui do burgo! Mais referiu que terá dado disso conta, oportunamente, a Jorge Ortiga, ex-presidente da “Conferência Episcopal Portuguesa” (CEP) e a Manuel Morujão, seu porta-voz. Ambos negam que tal tenha ocorrido, mas relativamente ao primeiro, isso é corroborado pelo Dr..Álvaro de Carvalho, psiquiatra presidente da “Rede de Cuidadores”, que esteve presente na reunião.

Já se sabia que entre 2003 e 2007 a PJ investigou dez casos, que o Ministério Público indiciou. Só em 2007 foram seis esses casos, pasme-se! Quanto às afirmações da Drª. Catalina e o desmentido do clero, não tenho o mínimo problema em afirmar que aquela fala verdade e este mente. Aquela Senhora parece-me extremamente bem formada, enquanto o sacerdote, a avaliar pelo que sempre se tem passado nas escolas de formação de padres ou nos conventos, não me parece senão estar a ocultar factos que deveriam, no século XXI, ser por todos considerados mais que evidentes. Enquanto a igreja católica não admitir que os padres se casem (com mulheres ou com homens), teremos sempre casos para contar!

Mas entretanto tenho uma dificuldade enorme em aceitar que episódios que datam de há mais de 9 anos, ainda não tenham sido julgados. O que se passa com o nosso sistema de “Justiça”? Será que o clero beneficia em Portugal das mesmas prerrogativas do primeiro-ministro cessante? Será assim tão difícil provar a prática de um crime desta natureza, por alguém que, ele próprio, atenta contra a NATUREZA, quando não lhe é permitida a prática de qualquer ato do foro da sexualidade?

É como ter-se dúvidas em indiciar por crime de furto, um indivíduo saído da cadeia por ter cumprido pena pela prática de dezenas de crimes semelhantes ou então (isto é também dos media da passada semana)- maxime quando se tem presente declarações da Ministra da Justiça, a propósito do “ónus da prova” nos crimes de corrupção.

Atém sempre, se Deus quiser!

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