Em democracia, o que conta são os votos da maioria. A maioria dos votos dos portugueses têm de ser tidos em consideração no momento de formar governo. A maior parte dos cidadãos deu maioria de votos ao PS, CDU e BE e se for essa a vontade dos três partidos mais votados, serão eles que deverão ser indigitados para liderar o país.

Nunca tal tinha acontecido na história da democracia em Portugal, os partidos do arco da governação, PS e PSD, foram num rotativismo cómodo, a única hipótese de governação dos últimos 30 anos. A sede de dominância levou a que esta alternância política fosse inquestionável, uma vez que instalados no poder, pouca diferença faziam um do outro.

O PCP, resolveu abrir uma porta que se considerava selada, ao admitir a hipótese de formar governo com o PS, alterou o esquema político então instalado no nosso país. Algo completamente inédito e que ninguém poderia supor.

O PCP alterou a forma como habitualmente se vê a democracia em Portugal e conseguiu bombardear a estrutura do arco da governação. Percebe-se o estado de choque de todos os que davam por adquirido a dominação de um certo território político, que sentiam a obrigatoriedade de se remeterem ao eterno papel de espetadores. Mas sente-se agora, que afinal pode haver uma verdadeira alternativa, pode haver circulação de ar e este tornar-se mais respirável, mesmo com a contínua tentativa de envenenamento que insistentemente se mantêm.

Podemos, pela primeira vez em muitos anos, assistir à vontade da maioria dos eleitores e ao real funcionamento de um Estado democrático posto em prática, é algo inédito, mas é o que deverá ser feito.

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