É difícil acreditar que o caos instalado na Justiça e Educação seja só por incompetência. O mais natural seria que, quer num caso como noutro, se procurassem alcançar soluções partindo dos erros detetados. Ou que, pelo menos, já tivessem sido detetados os erros para que estes pudessem ser corrigidos.

Não parece que os dois ministros estejam interessados em identificar os erros que ocorreram, porque não parece que estejam empenhados em soluciona-los. Num governo que sempre depreciou as instituições públicas, será que haverá algum interesse na sua boa gestão?

A defesa do fim da educação pública centralizada no ministério tem sido sempre defendida por este governo, mas agora mais que nunca, com a confusão deste início de ano letivo, tem sido defendida e dada como a solução encontrada por inúmeras vozes que, aparentemente acusam o centralismo da educação como o seu principal problema.

Foi muito conveniente este problema da colocação de professores e do (mau) arranque do ano letivo para abrir de novo a discussão sobra a escola pública. Todas as vozes afetas ao governo, incluindo Cavaco Silva, defendem um novo modelo para a colocação de professores como a solução para evitar os problemas que se têm verificado.

Custa a acreditar que a desorganização provocada pelo novo modelo de colocação de professores este ano tenha sido uma manobra provocada para, mais uma vez, se tentar desacreditar a escola pública. Que a atual paralisação da educação, que tanto tem afetado professores, alunos e famílias, sirva apenas como motivação política para caminhar para o fim da educação pública.

Resta a interrogação, numa altura em que se tem assistido a toda esta desorganização nas escolas e com a novidade do Orçamento de Estado para 2015 aplicar mais um corte substancial à Educação, o que esperar de facto da Escola Pública em Portugal?

Será realmente muito difícil que os pais continuem a confiar numa Escola desorganizada e cada vez com menos meios. Muitos irão com certeza optar pelo ensino privado cada vez mais, evitando assim a incerteza de viver mais um ano letivo sem saberem como irá começar e como vai decorrer.

E já agora onde andam os sindicatos e onde andam os 200 mil professores nas ruas e o luto pela escola pública? Estarão interrompidas até ao próximo governo socialista?

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