“Eu não odeio o talibã que atirou sobre mim. Mesmo que eu tivesse uma arma na mão e ele estivesse diante de mim, eu não atiraria contra ele. Essa é a misericórdia e compaixão que eu aprendi com Maomé, o profeta da piedade, com Jesus Cristo e Buda.” Palavras contundentes de reconciliação e diálogo ditas por uma adolescente perante a Assembleia de Jovens da ONU, em julho de 2013.

Malala já tinha sido considerada para o Nobel no ano passado, mas o prémio acabou por ser atribuído à Organização para a Proibição das Armas Químicas. Este ano Mandala consegue o merecido reconhecimento, tendo como concorrentes nomes tão sonantes como o papa Francisco. Compartilhou este prémio com Kailash Satyarthi, um engenheiro eletricista indiano que há quase três décadas denuncia sem descanso as empresas que exploram crianças.

Este galardão mostra a importância da coragem e da força demonstradas por uma criança que luta pelo direito à educação, um direito que deveria ser aplicado a todas crianças de qualquer idade em todo o mundo. É sem dúvida um prémio merecido pois Malala tem demonstrado que apesar da tenra idade, nada abala os seus princípios na luta por um mundo mais justo e igualitário, Malala é sem dúvida uma heroína.

Mas este prémio é também um sinal de diplomacia que o comité de Oslo quer enviar pois, juntamente com a jovem paquistanesa o júri homenageou também o indiano Kailash Satyarthi, o Nobel uniu assim um hindu e uma muçulmana; um indiano e uma paquistanesa.

Através da mensagem apaziguadora das palavras de Malala é passada também a mensagem da importância da educação e proteção das crianças e sendo este o assunto substancial, todas as constantes desconfianças entre Nova Deli e Islamabad precisam ter um fim, de forma a encontrar em conjunto e de forma pacífica uma solução.

Através do discurso de paz trazido por Malala, que estende a mão às outras religiões, resta a esperança que ela se torne um modelo para todos aqueles que se desesperam perante as atrocidades que vão sendo cometidas pelos extremistas muçulmanos e se unam no sentido de lhes pôr um fim. Fica a esperança de ainda acreditar, tal como Malala, que “uma caneta pode mudar o mundo”.

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