A acreditar nas várias sondagens que têm sido noticiadas, perante um resultado de maioria relativa, a Constituição delega no Presidente da República a decisão de interpretar os resultados e com base na sua análise, após ouvir os partidos com acento parlamentar, escolher o próximo Governo, isto porque ganha as eleições quem conseguir fazer eleger mais deputados.

Ainda que a coligação PAF vença as eleições, seja em votos, seja em mandatos, não é nada evidente que se forme um Governo, para tal é essencial que a coligação se mantenha unida após as eleições. Neste sentido é necessário que o número de deputados conseguidos por estes dois partidos, ou entendimentos que consigam com outras forças políticas com acento parlamentar, sejam em maioria absoluta ou, não será possível ao Presidente da República viabilizar este Governo.

Um bom resultado nas eleições de hoje será sempre garantir através de coligações uma maioria absoluta. Uma maioria relativa não pode ser agora uma solução para o atual estado do país, é necessária estabilidade política para garantir medidas sérias que terão de ser tomadas sem estarem dependentes de acordos ou coligações parlamentares que, inevitavelmente o irão derrubar mais cedo ou mais tarde.

Resta esperar que a abstenção não seja muito elevada nestas eleições e que se revele como a melhor solução à boca das urnas, caso contrário a decisão ficará nas mãos do Presidente da República, o que não sentencia nada de tranquilizador.

Cavaco Silva não tem sido realmente o Presidente de todo os portugueses e, possivelmente não o será agora. As suas decisões nunca foram as melhores, mostrando-se várias vezes parcial nas suas escolhas. Preferiu atirar o país para a incerteza evitando a antecipação das eleições e inauditamente decide que não estará presente no feriado da Implantação da República, alegando que terá de refletir numa solução sobres as eleições.

Não se percebe sobre o que irá refletir, uma vez que terá ainda de ouvir os vários partidos, parece ser antes uma desculpa para não evidenciar publicamente o seu desagrado com o que se prevê serem os resultados eleitorais.

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