A drástica diminuição da taxa de natalidade tem gerado uma serie de debates parlamentares, bem como medidas que a serem postas em prática, iriam contribuir para um combate a este problema que afeta atualmente um cada vez menor número de nascimentos no nosso país.

O problema muitas vezes é que não se percebem muito bem o alcance de algumas das medidas, por exemplo em que é que a medida da chamada “meia jornada” de trabalho na função pública, permitir que os pais com filhos com menos de 12 anos possam trabalhar só meio-dia passando a receber 60% do salário, vai contribuir para um aumento da natalidade?

Existe um autismo associado a certas medidas lançadas por este governo que nos deixam perplexos. É óbvio que o problema da natalidade não está relacionado, no essencial, com a pouca disponibilidade dos pais, basta perceber que se fosse esse o caso os milhares de desempregados existentes aproveitariam a sua situação para ter filhos. O problema reside na pouca disponibilidade económica das pessoas.

Após as absurdas estratégias de empobrecimento e de incentivo à emigração, o que provocou o empobrecimento das famílias, é ridícula a proposta apresentada uma vez que a ideia de que as famílias estão em condições de prescindir de 40% do salário de um dos membros do casal para ficar em casa a meio tempo a cuidar dos filhos é completamente irreal, dada a situação económica atual da grande maioria dos portugueses.

A conciliação entre a vida profissional e a vida familiar é sem dúvida importante, mas na hora da escolha entre uma delas as famílias continuarão a optar pela segurança profissional. O verdadeiro problema reside na política económica e de emprego e, é este que deve ser debatido para que alguma coisa se altere em relação à natalidade.

O risco te criar família sem o mínimo de segurança económica, não é aliciante para ninguém. A segurança sentida pelos casais é fundamental para poder perspetivar uma vida familiar com futuro e sem esta, não se convence ninguém a arriscar projetos familiares.

Há que haver alguma seriedade em torno destes debates, isto se de facto se quiserem criar medidas consideradas como viáveis.

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