Competentes e inteligentes“, foi assim que Christine Lagarde definiu o primeiro-ministro e o ministro das finanças gregos. A estratégia que está a ser seguida pelo governo grego para influenciar os seus credores europeus, consegue sensibilizar mais a opinião pública europeia do que os respetivos “parceiros” políticos, onde se inclui Portugal.

As lamentáveis declarações feita pelo Governo e pelo Presidente da República portuguesa sobre a atual situação da Grécia, numa atitude de servilismo perante a Alemanha sempre na tentativa de ficar bem na fotografia, demonstram uma total ausência de consciência social, não só perante a trágica situação grega, mas também pela pouco recomendável situação portuguesa.

Num país onde existem milhares de desempregados e centenas de milhares em risco de pobreza, não se compreende este desprezo demonstrado pela atuação grega em tentar amenizar a austeridade e tragédia social a ela associadas. Merecíamos ter políticos que não considerassem que ajudar Portugal passa por se arrastarem perante a Alemanha, pessoas que não revelam nenhuma dimensão ética ou humana. Mas a verdade é que admitir que a posição de força do Governo grego poderá trazer vantagens para o seu país, seria admitir que toda a estratégia empreendida está errada.

O Governo tem de continuar a garantir que os eleitores acreditam que o empobrecimento do país foi necessário e que os sacrifícios pedidos são, em prol de um bem maior, irão levar à salvação da pátria. Reconhecer a estratégia Grega seria ter de aceitar o facto de que estamos mais pobres hoje e mais dependentes dos nossos credores bem como dos favores dos mercados, seria revelara admissão do fracasso representada na fraude ideológica chamada austeridade que nos conduz à irremediável pobreza, acompanhada da ausência de esperança.

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