Foi anunciada, de forma entusiasta, a “saída limpa” de Portugal do programa cautelar.

“Recuperamos a nossa soberania”.

“Revivemos o 1640 do século XXI”.

“Vamos devolver Portugal aos portugueses”

Foram algumas das expressões triunfantes com que o governo nos brindou para marcar o fim da presença da troika em Portugal.

É pena que não tenha havido, em nenhuma parte do discurso do governo, alguma referência aos sacrifícios pedidos aos portugueses. Algo como “pedimos desculpa por termos empobrecido as vossas vidas e o país, mas agora iniciaremos um novo caminho”.

Não é possível dizer isto pois como sabemos, ao fim dos três anos de intervenção, que correspondem a esta governação, não há resultados positivos no crescimento económico, no desemprego, no défice e na dívida. Não se fez a reforma do Estado, o país está mais pobre e seriamente atacado no seu Estado Social, a nossa dívida pública passou de 90% do PIB para 130%.

O governo também não disse que Portugal estará sobre vigilância até pagar 75% do montante recebido, o que nos irá manter sob protetorado até 2037.

E o que nos irá acontecer se não forem cumpridas, obrigatoriamente, duas destas três condições:

1-Respeitar o Tratado Orçamental;
2-pagar a dívida pública nos termos atualmente previstos;
3-preservar um Estado Social típico de uma sociedade desenvolvida.

Nada disto foi explicado ao país, talvez aconteça depois das eleições. Mas, porque há ainda muito para esclarecer, talvez devesse existir alguma contenção na forma como as informações são noticiadas, isto porque o governo já falhou anteriormente e nada nos garante, pelo contrário, que não vai continuar a falhar.

Então, celebramos o quê?

Texto: Rita Fonseca
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