Como é possível que, após os anos de austeridade a que estivemos sujeitos para resolver um défice e uma dívida completamente sufocantes, os resultados continuem a ser desastrosos?

Um défice que se mantém descontrolado de 4,7% (igual ao que estava antes dos sacrifícios) e uma dívida de 130,2% (mais 24% do que em 2011), o que demonstra o fracasso de toda esta austeridade e dos sacrifícios pedidos aos portugueses.

Como é possível que após as várias medidas impostas para reduzir o défice como os sucessivos cortes em pensões e salários, aumento brutal dos impostos (IVA e IRS), eliminação dos apoios sociais e inúmeras privatizações de serviços públicos, não se tenham verificado os resultados esperados?

Como é possível que, assistindo ao empobrecimento total do país através da emigração, os números são avassaladores (480 mil pessoas), do aumento das horas de trabalho e a diminuição dos salários médios, os cortes na educação e na saúde, tudo em nome de uma austeridade que só serviu para transferir rendimentos para o estrangeiro, não estejamos hoje em melhor situação?

Ninguém acredita que os sacrifícios não vão depois das eleições continuar a ser cobrados. Mesmo com o primeiro-ministro a considerar estes números uma “questão meramente contabilística” e que “não serão exigidas medidas compensatórias”. Então como vamos cumprir o Tratado Orçamental e cortar na despesa pública cerca de 7 mil milhões de euros em cada ano como está acordado com as instituições europeias? O discurso do final dos sacrifícios não convence ninguém!

Como é possível que, apesar de toda esta realidade, o resultado das sondagens continuem a dar vantagem à mentira e à manutenção da angústia?

Algo está errado com a política em Portugal, algo se passa com os portugueses.

Será que a total descrença nas instituições políticas por parte dos cidadãos vai servir para perpetuar a situação de esvaecimento a que nos temos sujeitado nos últimos anos? De acordo com as sondagens parece que sim, mas esta não será a vitória do próximo governo, esta será a vitória do desânimo e da resignação.

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