No início de mais um ano letivo o cenário apresentado não é diferente do dos anos anteriores.

O atraso na saída da lista de colocações dos professores  leva milhares de professores aos centros de emprego, mesmo que sejam colocados aquando da saída das listas, para todos os efeitos estes professores estão desempregados (uma vez que os seus contratos acabaram no dia 31 de agosto). Ao contrário do que o ministro da educação deu a entender, os professores vão para os centros de emprego no dia 1 de setembro, não porque querem conviver uns com os outros, mas porque o pagamento do subsídio só conta a partir da data do pedido do mesmo.

Não haverá muitas coisas tão humilhantes como ano após ano, e estamos a falar em alguns casos de 20 anos e em muitos casos de mais de 15 anos, pessoas a terem de se deslocar aos centros de emprego para requerer o subsídio. Algo perfeitamente evitável, pelo menos para grande parte deles, se houvesse algum respeito por esta classe e as ditas listas de colocação saíssem atempadamente.

Ao mesmo tempo o ministério obriga os professores a concorrerem a um outro concurso, mais uma vez completamente escusado, uma vez que muitos ficarão colocados nas já referidas listas. Um concurso que é apresentado pela primeira vez, com uma serie de subcritérios para responder, muitos deles de entendimento duvidoso e que exige horas de preenchimento.

Isto tudo em vésperas de se iniciar mais um ano letivo, que envolverá esforço, empenho e dedicação por parte destes professores, que como está bem de ver ainda não começou e já estão esgotados. Esgotados pela ansiedade a que são sujeitos e pela falta de respeito com que insistem em tratá-los.

A falta de respeito com que o ministério trata os professores foi algo a que já nos habituamos e leva ao cansaço e à revolta. É um sinal de desrespeito, mais um, sobre esta classe constantemente amesquinhada.

A incerteza não é boa para os professores, alunos, pais e quem dirige as escolas no arranque de mais um ano escolar. Para além desta incerteza, os professores, que forem colocados, terão que se deslocar, em muitos casos centenas de quilómetros, em cima da abertura de mais um ano escolar. A incerteza e a instabilidade profissional são permanentes na vida destes docentes. Uma vergonha!

É fácil perspetivar a desmotivação desta classe, não só nos milhares de contratados, com muitos anos já de serviço, mas também nos professores do quadro. Acusados de terem bons salários, emprego seguro, muitas férias, bons horários, etc.., são agora obrigados a uma enorme carga  burocrática, o que desvaloriza a preparação de aulas, aliado ao excessivo número de alunos por turma, o que leva facilmente a que cada professor tenha a seu cargo mais de centena e meia de alunos, por vezes uma dezena de turmas. Tudo isto numa profissão com ausência de perspetivas de carreira, escassas possibilidades de mudança e a constante alteração salarial (só este ano aconteceu por três vezes essa alteração) é algo frustrante.

Não é de estranhar que estejam milhares de professores a aguardar a dispensa por rescisão amigável, mesmo que isso signifique uma parca compensação, mas já não aguentam mais a desconsideração de que são alvo.

O país precisa de professores, é falsa a questão que a diminuição destes se deve só ao decréscimo da natalidade, deve-se também à reforma curricular, ao aumento do número de alunos por turma e por último à criação de turmas ilegais (turmas com alunos que têm necessidades educativas especiais em maior número do que a lei prevê).

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