A capacidade de fazer humor, de ridicularizar pessoas ou situações, é um ato de coragem uma vez que, a existência de represálias poderá acontecer. Mais do que criticar, a sátira ou o escarnecimento podem ser bastante mais corrosivos pois ninguém lida bem com a chacota. As vítimas, que foram barbaramente assassinadas, eram cartoonistas e faziam do humor a sua arma, uma arma bastante mais mortífera que qualquer outra.

Quando se fala em atentado à liberdade de expressão, é preciso não esquecer que quem de facto a usa de forma incisiva corre sempre riscos. Não que imagine a eventualidade de uma vingança através das armas, mas a possibilidade de uma qualquer retaliação poderá suceder.

Estes homens eram mais poderosos do que eles próprios imaginavam isto porque ameaçavam, através do humor, convicções, e por isso foram mortos. Porque o humor é um instrumento da liberdade e de inteligência.

Fazer humor sobre Jesus, Maomé, Buda, o Papa, abala, apenas aqueles que não conseguem saber verdadeiramente o que é a fé por não apresentarem algo que é necessariamente inquestionável para quem tem fé, a transigência, essa característica presente unicamente nos seres humanos.

Estes homens não podem ser humanos, quem mata de forma descontrolada à queima-roupa, não pode ser humano e por isso não podem ter fé, e portanto não podem reclamar que o fazem em nome de uma, qualquer que seja, religião.

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