Existe um notável desdém em relação à função pública e que se tem acentuado nos últimos anos. O atual governo demonstrou esse sentimento e usa-o para dividir os portugueses. Há um grupo de cidadãos que têm culpa dos devaneios financeiros dos governos e da crise financeira internacional, por isso são estigmatizados porque lhes são garantidos “direitos adquiridos” (como se existissem direitos não adquiridos).

O que está em causa com o ataque aos direitos e ao emprego dos trabalhadores da função pública não é apenas uma questão que afeta esses trabalhadores. É um ataque que, a concretizar e a ter êxito, agravará imenso as condições de vida de todos os portugueses, e é importante que exista essa consciência.

A grande maioria dos portugueses recorre e depende do funcionalismo público, gostam que os filhos frequentem uma escola com qualidade, pretendem usufruir de um sistema de saúde que não os deixe a agonizar por horas, desejam não esperar horas numa fila de uma qualquer administração pública para serem atendidos, em suma todos exigimos qualidade nas estruturas de um país que se diz desenvolvido.

O professor, o médico, o polícia, o motorista, o calceteiro, ou qualquer outro funcionário publico, são culpados. São culpados porque são sustentados por todos os portugueses que não precisam deles e por isso, são todos malandros, acomodados, preguiçosos, corporativos, a culpa da crise é toda deles. Não são questionados nem pelo governo nem pelos portugueses, os lucros especulativos das Parcerias Público Privadas, as “rendas excessivas” do setor da energia, os contratos “swaps” especulativos impostos às empresas públicas que lesam o Estado em milhões e milhões de euros todos os anos. Nestes “direitos adquiridos” não se pode tocar e que diminuiriam significativamente os encargos para o Estado, em relação aos direitos dos trabalhadores e dos pensionistas, muitos deles consagrados na Constituição da República, para esses já não existem “direitos adquiridos”, nem limites ao aumento da exploração e aos cortes nos seus rendimentos essenciais à sua sobrevivência.

Cuidado com a forma como se usa o desdém por uma qualquer fração da sociedade, muitas vezes esses sentimentos revertem contra nós. Pode ser que quando se virem reduzidas substancialmente as funções sociais do estado e com estas, o agravamento das condições de vida dos portugueses, se perceba que pouco sobrará desse mesmo Estado.

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