O piloto português Paulo Gonçalves, de 40 anos, morreu este domingo na sequência de uma queda na 7.ª etapa do rali Dakar. Várias personalidades despediram-se de “Speedy”, relembrando aquilo que fez dele uma lenda do desporto.

“A organização recebeu um alerta às 10h08 e enviou um helicóptero médico que chegou ao piloto às 10h16 encontrando-o inconsciente depois de uma paragem cardíaca. Depois da reanimação no local, o competidor foi levado de helicóptero para o hospital de Layla, onde foi declarada a sua morte“, escreveu a organização em comunicado.

Ainda não se sabe o que terá causado a queda, apesar de se suspeitar que tenha sido pelo terreno acidentado. “Disse-me que o encontraram já morto. Foi em reta, o que é estranho. Não sabem o que aconteceu”, disse, por sua vez, Jorge Viegas, presidente da Federação Internacional de Motociclismo.

Um pouco por todo o mundo, do motociclismo à política, vários foram os amigos e conhecidos de Paulo “Speedy” Gonçalves que manifestaram o seu desalento pela morte do piloto. O português junta-se a uma lista de 25 nomes que perderam a vida no rali de Dakar.

Joaquim Rodrigues, cunhado e companheiro de equipa de Paulo Gonçalves foi um dos primeiros pilotos a chegar ao local da queda. As fotografias divulgadas são algumas das mais marcantes e mostram o piloto claramente transtornado.

O diretor do Rali da Madeira, Pedro Melvill de Araújo, que está em Dakar como comissário desportivo, diz que é um grande choque. “É uma grande consternação, uma tristeza imensa. Quando morre um piloto já ficamos abatidos, agora tratando-se de um português e que ainda por cima eu conhecia bem… deram-me a notícia logo pela manhã, estava a sair do avião que me trouxe de Riade. Sabem que eu sou português.., a morte do Paulo é grande choque. É muito complicado recebermos uma notícia destas no meio do deserto”, confessou ao DN.

“Ele era um piloto de causas, que mesmo sabendo das penalizações ajudava sempre os colegas em dificuldades. A sua lenda vai ficar para sempre“, acrescentou.

São vários os casos em que “Speedy” parou durante o percurso de uma prova para dar auxílio a um piloto caído. Na edição de 2016 do Dakar, parou para assistir Matthias Walkner, um dos favoritos à vitória naquele ano. Nesse dia, o português liderava a prova, mas isso não o deteve de encostar a moto, tendo perdido 10 minutos e 53 segundos. Paulo Gonçalves acabaria por não vencer a prova nesse ano.

Sabendo da morte do piloto, Walkner recordou o episódio e deixou uma mensagem nas redes sociais.

“É exatamente assim que te vou lembrar. Descansa em paz, campeão”, escreveu a acompanhar a fotografia. “Era um atleta incrivelmente simpático, prestativo e justo, muito apreciado e amado por todos”.

“Estamos todos os dias 15 km/h acima da velocidade média aceite pelo organizador. A etapa de hoje [domingo] foi uma das mais rápidas que já conduzi num rally”, lê-se ainda. Além disso, salientou o perigo que os pilotos correm em todas as etapas, dizendo que sabem que “o menor erro pode ter consequências terríveis”.

David Castera, diretor do rali Daka2020, diz ter perdido um companheiro que conhecia há muitos anos e salientou a qualidade e tenacidade do piloto. “Paulo era meu companheiro, estava no Dakar há muito tempo, toda a gente o conhecia. Há cinco etapas estava a mudar o motor da sua mota, era muito tenaz. Conhecia os riscos de um rali, quando o pior acontece é muito difícil para todos”.

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O atual campeão de motas no Dakar, Toby Price, foi o primeiro a chegar ao local do acidente. O australiano explica que tentou ajudar Paulo Gonçalves, mas que já era tarde demais. “Tinha sido o primeiro a chegar até junto dele e queria ser o último a sair”, disse.

O piloto da KTM deu o alerta da queda, recebeu as equipa médicas e ainda ajudou a colocar o corpo do português no helicóptero.

Vamos sentir falta do teu sorriso e das tuas gargalhadas no bivouac, Speedy”, escreveu Price, no Facebook.

O Presidente da República foi uma das mais importantes personalidades a lamentar a sua morte. Marcelo Rebelo de Sousa apresentou “as mais sentidas condolências” à família do ‘motard’ português.

“Paulo Gonçalves morreu a tentar alcançar o sonho de vencer uma das mais duras e perigosas provas de rally do mundo, na qual foi sempre um digníssimo representante de Portugal, chegando a alcançar o segundo o lugar em 2015″, pode ler-se na nota publicada no site da Presidência.

Por sua vez, o primeiro-ministro, António Costa, disse que o piloto será para sempre lembrado como um “exemplo de ética, altruísmo e sã competição”.

Ainda dentro da política, o presidente da Assembleia da República manifestou o “choque e tristeza” após saber da morte de Paulo Gonçalves. Eduardo Ferro Rodrigues diz que “irá tomar a iniciativa de apresentar um voto de pesar em próxima reunião plenária da Assembleia da República, endereçando, em seu nome e em nome da Assembleia da República, as mais sentidas condolências à família e amigos”.

DC, ZAP //

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