foto : Ivendrell / Wikimedia

A ajuda médica alemã que vem dar apoio ao sistema de saúde português face à pressão provocada pela pandemia de covid-19 chega a Portugal esta quarta-feira, sendo recebida pelos ministros da Saúde e da Defesa.

A chegada da comitiva médica militar da Alemanha, liderada por Ulrich Baumgärtner, está marcada para as 13h15, na Base Aérea de Figo Maduro, no Aeroporto de Lisboa.

O processo de auxílio alemão a Portugal arrancou no dia 25 de janeiro, na sequência de um pedido de ajuda da ministra da Saúde, Marta Temido, à ministra da Defesa alemã, Annegret Kramp-Karrenbauer, e foi agora concretizado com uma equipa constituída por 26 profissionais de saúde, entre os quais seis médicos, sendo igualmente transportados 40 ventiladores móveis e 10 estacionários, 150 bombas de infusão e outras tantas camas hospitalares.

Em declarações à agência Lusa, o médico que vai estar à frente da missão disse que a equipa de profissionais de saúde militares, com competências ao nível da Medicina Intensiva, vai centrar-se principalmente num hospital de Lisboa, garantindo que também pode vir a ser dado apoio a outros do país.

“Sabemos que o sistema de saúde em Portugal está, por vezes, muito sobrecarregado. O quadro de funcionários dos hospitais e, principalmente, das unidades de cuidados intensivos atingiu o limite. Queremos apoiá-los com a nossa equipa, mas também com material clínico para, pelo menos, aliviar a situação”, sublinhou Baumgärtner, acrescentando que este apoio mostra “um forte sinal de solidariedade”.

De acordo com um comunicado conjunto dos Ministérios da Saúde e da Defesa de Portugal, os profissionais de saúde alemães irão permanecer no país “durante um período de três semanas, estando prevista a sua substituição a cada 21 dias, até ao final de março, caso seja necessário”.

Comissão Europeia “pronta” para ajudar

“O nosso Centro de Coordenação de Resposta a Emergências acompanha de perto a situação crítica relacionada com a pandemia de covid-19 em Portugal e está pronto a ajudar caso [o país] necessite de assistência”, escreveu o comissário europeu para Gestão de Crises, Janez Lenarcic, no Twitter.

Fonte do Executivo comunitário assegurou à Lusa que, até ao momento, Portugal não fez qualquer pedido formal à Comissão Europeia, sendo esse um requisito para a instituição avançar com a assistência ao país.

Existem, ao nível da União Europeia (UE), vários mecanismos para prestar assistência aos países que atingem a saturação dos seus sistemas de saúde devido à pandemia e que já foi usado por Estados-membros como Bélgica ou Itália, nomeadamente o Instrumento de Apoio de Emergência, que financia o transporte de equipas médicas e de doentes, cobrindo ‘a posteriori’ até 100% dos custos.

Outro dos instrumentos são as reservas médicas da UE, que permitem a entrega rápida de equipamento médico como ventiladores e equipamento de proteção pessoal, com custo também coberto na totalidade pela Comissão Europeia.

Acresce, ainda, o Mecanismo de Proteção Civil da UE, através do qual o Executivo comunitário coordena as ofertas de assistência e de solidariedade feitas por outros Estados-membros – de materiais como máscaras, equipamentos de proteção, entre outros –, podendo também cobrir até 75% dos custos de transporte.

Através deste Mecanismo de Proteção Civil da UE, a Comissão Europeia já coordenou e cofinanciou a entrega de mais de 15 milhões de suprimentos médicos a quase 30 países.

Espanha também aguarda pedido oficial de Portugal

Além da Alemanha, a Áustria também já se disponibilizou para tratar pacientes graves portugueses nos seus hospitais. No caso do “vizinho” espanhol, fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros disse que têm “total disponibilidade para ajudar Portugal”, acrescentando que, assim que se formalize o pedido de apoio, a questão será discutida com as comunidades autónomas do país.

O sector da saúde está descentralizado em Espanha e são as várias regiões espanholas que fazem a gestão, por exemplo, dos meios hospitalares para apoiar os eventuais doentes portugueses que forem transferidos.

“Penso que as autoridades portuguesas preferem atravessar a fronteira“, referiu a mesma fonte, que considerou essa possibilidade mais eficaz do que outras soluções de ajuda que são mais “simbólicas”.

De acordo com a fonte diplomática espanhola, as ministras espanhola e portuguesa da Saúde têm estado em contacto e, nomeadamente, falaram durante o fim-de-semana sobre a situação da pandemia nos dois países.

Governo regional da Extremadura, uma das comunidades espanholas que fazem fronteira com Portugal, ofereceu ajuda através do seu Ministério da Saúde, perante a difícil situação sanitária que atravessa o país vizinho, revelou o conselheiro regional para a Saúde desta região, José María Vergeles.

O Executivo da comunidade autónoma avançou com esta oferta de colaboração “dentro das possibilidades que tem”, indicou Vergeles na sua página de Facebook, acrescentando que o apoio é feito “a partir da Diretiva sobre a Assistência Transfronteiriça”.

ZAP // Lusa

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