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Passaram dez anos sobre o referendo da legalização do aborto em Portugal, uma década passada e verificamos que o seu saldo é francamente positivo. O fim do aborto clandestino significou para muitas mulheres as mortes por aborto ou a sua perseguição criminal.

O principal argumento dos seus opositores não se verificou, não houve a banalização do aborto como método anticoncecional, pelo contrário do número de abortos diminuiu drasticamente.

Não se critica que, por motivos religiosos ou outros, se oponham ao aborto, incluindo a objeção de consciência do pessoal de saúde, mas o que realmente importa é que estas convicções não se impõem aos outros como é legítimo numa sociedade livre, onde as mulheres têm o direito de decidir sobre a sua vida e do seu corpo sem sentirem medo ou constrangimento pelas suas opções.

É sinónimo de uma sociedade desenvolvida  e verdadeiramente democrática a forma pacifica como tudo se consolidou, a legalização do aborto e a sua regulação nas condições estabelecidas na lei são sinónimo de um avanço civilizacional que só nos pode deixar orgulhosos.

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