Mais uma Comissão Parlamentar de inquérito sobre o sistema bancário português está agora a ser realizada. Depois dos escândalos do BPN e BES, sujeitos os dois a Inquéritos da Comissão Parlamentar, chega agora a vez do BANIF.

Esta servirá para apurar responsabilidades sobre o enorme prejuízo causado pela gestão do banco na nossa economia. Com estas objetivo irá ser investigada a atuação do governo, e das entidades de supervisão, bem como a venda deste ao Santander a preço de saldo.

Para além de esclarecerem a opinião pública sobre os acontecimentos, estas Comissões Parlamentares não têm tido nenhum efeito prático. Era útil que fossem responsabilizados os responsáveis pela palhaçada que se tem perpetuado na banca portuguesa, que se apurassem culpados e que estes fossem punidos. A culpa é sempre de outro e todos fizeram o que deviam para salvar o Banif ou não sabiam de nada e ficaram perplexos com o desenlace.

A facilidade com que se mente nestas Comissões de Inquérito é de pasmar aos mais incrédulos. Alguém está a mentir e isso é óbvio, há responsabilidades que são inegáveis.

Como é possível acreditar que a Comissão Europeia não aceitou nenhum dos planos de reestruturação apresentados pela administração de Luís Amado e de Jorge Tomé, ou porque não foram cumpridas as condições que Bruxelas impunha e que passavam pela transformação do Banif num banco regional, mais pequeno e focado nos Açores e na Madeira?

Mesmo não concordando com a Comissão Europeia, estes gestores não tinham o direito de a pôr em causa, uma vez que o Banif tinha sido injetado com dinheiros do Estado e por isso tinha como obrigação cumprir as regras impostas por Bruxelas.

Os sucessivos Planos de reestruturação que nunca seriam aprovados, serviram apenas para pôr em risco o dinheiro dos contribuintes, foi impensado e irresponsável.

Também o anterior Governo deverá assumir culpas pois permitiram que os acionistas privados do Banif continuassem a dominar o banco mesmo após o dinheiro lá injetado pelo Estado. Porque não ficou o Estado com o controlo da gestão do banco, uma vez que detinha mais de metade do seu capital?

Também, mais uma vez, a supervisão falhou. A venda do Banif ao Santander terá ainda muito por explicar.

Ficamos a aguardar o desenrolar desta Comissão de Inquérito, mas não esperemos que surjam grandes desenvolvimentos, as boas intenções das Comissões Parlamentares não chegam para compensar o preço demasiado alto que os portugueses têm pago para salvar a banca.

Até hoje elas têm servido apenas para infindáveis desculpas dos governantes, supervisores e gestores.

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