Cientistas nos EUA podem ter finalmente desvendado o mistério do orgasmo feminino: o seu papel terá uma origem evolutiva, relacionada com a ovulação.

O orgasmo feminino, que não tem uma função óbvia na reprodução humana, tem intrigado investigadores há centenas de anos, mas a maioria das teorias que tentaram explicá-lo concentra-se na sua função na biologia animal e primata.

Agora, cientistas da Universidade de Yale e do hospital Infantil de Cincinnati (EUA) oferecem um novo ponto de vista sobre o assunto, ao examinar a evolução do orgasmo feminino em diferentes espécies.

O estudo foi publicado no início de agosto na revista JEZ-Molecular and Developmental Evolution.

“Estudos anteriores tendiam a focar-se em evidências da biologia humana e da modificação da características, e não na sua origem evolutiva”, explica Gunter Wagner, um dos investigadores envolvidos no estudo.

O investigador sugere que a característica tenha uma origem evolutiva relacionada com a ovulação.

Uma vez que não há associação aparente entre o orgasmo e o número de herdeiros em seres humanos, os cientistas acreditam que possa estar relacionado com a liberação neuroendócrina das hormonas prolactina e oxitocina.

Clítoris mudou de sítio

Outros mamíferos com placenta também foram estudados, e foi observado que em vários deles esse reflexo acontece durante a ovulação. Apesar de haver uma enorme diversidade na reprodução de mamíferos, foi possível observar a sua presença em vários momentos evolutivos diferentes.

O ciclo da ovulação humana, por exemplo, não depende da atividade sexual. Em outras espécies, porém, ela é induzida por machos. A análise mostra que a ovulação induzida por machos surgiu primeiro, e que a ovulação cíclica ou espontânea apareceu apenas mais tarde.

Os investigadores acreditam que o orgasmo feminino pode ter surgido como adaptação de alguma função direta reprodutiva – o reflexo que, milhares de anos atrás, induzia a ovulação. Esse reflexotornou-se supérfluo para a reprodução, permanecendo apenas como função secundária.

Um estudo comparativo da genitália feminina também revelou que através dos tempos, a localização do clitóris se alterou, ficando inicialmente dentro do canal vaginal.

Esta mudança anatómica faz com que o clitóris receba, durante as relações sexuais, menos estímulo adequado a ponto de causar o reflexo conhecido como orgasmo.

“Características homólogas em diferentes espécies podem ser difíceis de serem identificadas, já que mudam substancialmente durante a evolução”, descreve Mihaela Pavlicev, investigadora do Hospital Infantil de Cincinnati.

HypeScience

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