foto : Will Oliver / EPA

De acordo com fonte do Executivo, citada pelo jornal The Guardian, se esse for o cenário, Johnson vai convocar eleições antecipadas para 14 de outubro.

Depois de uma reunião de emergência, o primeiro-ministro anunciou à porta de Downing Street que não vai para já convocar eleições. Aos jornalistas, durante uma declaração em Downing Street, o primeiro-minsitro defendeu que se a moção dos Trabalhistas for aprovada será “um cortar de pernas” aos negociadores britânicos. “Tornará qualquer negociação absolutamente impossível”, sublinhou.

“Quero que todos saibam que em nenhuma circunstância vou pedir a Bruxelas mais um adiamento. Vamos sair a 31 de outubro – sem ‘se’ ou “mas’”, assegurou Johnson na comunicação à imprensa, que foi sonorizada por protestos contra o Brexit. “Não iremos aceitar qualquer tentativa para recuar nas nossas promessas”, acrescentou, defendendo que os deputados britânicos devem “votar a favor do Governo” e recusar o adiamento “sem sentido” proposto por Jeremy Corbyn para 31 de janeiro.

O texto, a debater e votar quarta-feira, deverá exigir que o Executivo peça novo adiamento da saída aos 27 caso o prazo de 31 de outubro se aproxime sem que haja um acordo aprovado ou uma autorização parlamentar para sair sem acordo.

Os críticos do Brexit duro dividem-se quanto a saber se o tempo adicional — indefinido, mas que poderia ser até 31 de janeiro de 2020, segundo a editora de política da BBC, Laura Kuenssberg — serviria para tentar renegociar os termos do Brexit ou para organizar um novo referendo.

Este confronto no parlamento coincide com uma audiência num tribunal de Edimburgo (Escócia) para avaliar o pedido de uma providência cautelar para bloquear a suspensão do parlamento britânico prevista para começar na próxima semana e durar cinco semanas, precisamente até 14 de outubro.

Este clima de instabilidade está a pesar nos mercados acionistas europeus, levando à queda dos índices, isto ao mesmo tempo que no mercado de dívida soberana se assistem novos mínimos históricos na dívida de vários países do euro. No cambial, a moeda britânica sente a pressão, recuando para o valor mais baixo desde janeiro de 2017, estando a negociar abaixo da fasquia dos 1,20 dólares, segundo a Bloomberg.

UE pode considerar Brexit um “desastre natural”

A União Europeia pondera qualificar o Brexit como um “desastre natural” de forma a libertar fundos europeus para ajudar Estados-membros.

A União Europeia está a estudar a possibilidade de considerar a saída do Reino Unido como um desastre natural, de forma a poder desbloquear cerca de 500 milhões de euros, fundos anualmente disponíveis para ajudar os países que enfrentam condições meteorológicas adversas.

A ideia é, de acordo com o The Guardian, usar este fundo de solidariedade, criado em 2002 para responder a emergências como terramotos, incêndios e inundações, para ajudar os Estados-membros que poderão ser mais prejudicados — Holanda, Alemanha, Dinamarca e Espanha, por exemplo — no caso de uma saída sem acordo do Reino Unido.

O assunto deverá ser discutido esta semana em Bruxelas, depois de o ministro dos Negócios Estrangeiros austríaco, Alexander Schallenberg, ter admitido a possibilidade de o país se manter membro da União Europeia para lá de dia 31 de outubro.

ZAP // Lusa

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