Um forte aparato de segurança foi montado na tarde desta sexta-feira pela Companhia de Força Tática do 18º Batalhão da Polícia Militar e pela Ronda Ostensiva Tobias de Aguiar (Rota) para a transferência de um dos líderes do Primeiro Comando da Capital (PCC) de Presidente Bernardes (SP) para Porto Velho (RO). Roberto Soriano, o Betinho Tiriça, saiu do Centro de Readaptação Penitenciária (CRP) Doutor José Ismael Pedrosa, na cidade paulista, e foi levado até o aeroporto estadual de Presidente Prudente (565 km a oeste de São Paulo). Depois, encapuzado, algemado e ainda sob forte escolta policial, o preso foi embarcado em um avião que decolou com destino a cidade de Porto Velho (RO), onde deverá permanecer recolhido em um presídio federal.

Já sentenciado, Roberto Soriano é um dos suspeitos de ordenar os ataques a policiais militares no Estado de São Paulo. Uma carta supostamente escrita por ele foi apreendida pelo Ministério Público Estadual no começo deste ano. Nela, Betinho Tiriça determinava vingança contra um agente da polícia acusado de matar um integrante do PCC. Ele estava no CRP desde maio deste ano, logo depois de ser flagrado enviando um bilhete com o nome de seis policias militares da Rota que deveriam ser mortos.

A transferência de Betinho, identificado como sendo um dos chefões do PCC, facção que age dentro e fora dos presídios paulistas, faz parte da remoção de diversos líderes da quadrilha desenvolvida logo depois que uma investigação da Polícia Federal descobriu que os integrantes da facção comandavam ações criminosas de dentro da prisão.

Entre os líderes do PCC que foram transferidos recentemente estão Abel Pacheco de Andrade, o ‘Vida Loka’, e Alexandre Campos dos Santos, o ‘Jiló’, acusado de ser um dos tesoureiros da facção e companheiro de cela de ‘Betinho Tiriça’ antes da sua remoção em maio para o presídio de segurança máxima de Presidente Bernardes.

A unidade prisional de Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) de Presidente Bernardes possui capacidade para até 160 detentos, que ficam em celas individuais, não têm acesso a rádio, TV ou jornais, tomam sol apenas duas horas por dia – e, mesmo assim, sem contato com outros sentenciados – e recebem apenas duas visitas semanais, mas sem nenhum contato físico. Atualmente, o CRP abriga apenas 37 presos. A extinção deste tipo de regime é uma antiga reivindicação do PCC. Atualmente recolhido em uma prisão federal, o traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, classificou o sistema de RDD como “fábrica de loucos e de monstros”.

A transferência pode ser parte da parceria anunciada recentemente pelos governos federal e paulista para o combate ao crime organizado, que prevê a remoção de presos da facção para outros Estados.

Ainda dentro desta parceria, também foi determinada a transferência de Antonio Cesário da Silva, o ‘Piauí’, também ligado ao PCC, para um presídio federal. Ele teria comandado a morte de seis policiais militares neste ano. Acusado de liderar o tráfico de entorpecentes em Paraisópolis, ‘Piauí’ foi transferido para a Penitenciária Federal de Porto Velho na semana passada.

Onda de violência 

Desde o início do ano, ao menos 92 policiais foram assassinados no Estado. Desse total, 18 eram aposentados e três estavam em serviço. Além disso, o Estado continua a enfrentar um grande índice de violência. Segundo dados da Secretaria de Segurança Pública, só na capital houve um crescimento de 102,82% no número de pessoas vítimas de homicídio no mês de setembro, em comparação ao mesmo período do ano passado. Em todo o Estado, a alta foi de 26,71% no mesmo período.

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