Quase 600 bolas no relvado do Congresso Nacional representam deputados e senadores. Grupos sociais pedem ainda instalação de uma CPI para investigar os gastos da Copa do Mundo.

Além de 594 bolas de futebol posicionadas nesta manhã no gramado em frente ao Congresso Nacional, manifestantes usam cruzes de papel e um túmulo improvisado para pedir o fim da corrupção no País. Motivados pela onda de protestos que tomou conta das ruas em diversas cidades brasileiras, grupos sociais reivindicam que parlamentares apreciem com urgência todas as proposições ligadas ao tema que tramitam nas duas Casas Legislativas.

De acordo com o presidente da organização não governamental (ONG) Rio de Paz, responsável pelo ato, Antônio Carlos Costa, as bolas representam os 594 deputados e senadores. “A ideia é passar a bola para o Congresso, saber o que ele vai fazer a partir de agora. Queremos um Legislativo que fiscalize o Executivo, mas não o boicote, que desengavete projetos de lei de grande interesse popular e que não se sujeite a lobbies que visam apenas ao interesse próprio e não da nação”, explicou Costa.

Costa ressaltou que as 594 bolas, que receberão cruzes pintadas em vermelho ao longo do dia, também simbolizam o número de assassinatos que ocorrem no país. Segundo estimativa da entidade, 550 brasileiros morrem dessa forma a cada quatro dias.

Cruzes e túmulos

Presidente do Movimento 139, o servidor público Diogo Araújo, de 24 anos, enfatizou que é preciso aproveitar o “momento histórico” para avançar no combate aos malfeitos na administração pública. “As cruzes representam os 139 projetos engavetados no Congresso, alguns há mais de 15 anos, que tratam do combate à corrupção.

“Entre os principais estão o que prevê o aumento de penas para crimes contra a administração pública e o que torna imprescritíveis os crimes de corrupção”, disse, enquanto fincava no gramado os palitos em que estavam presas cruzes de papel, feitas artesanalmente com a ajuda de dois amigos.

O grupo também reivindica a instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Copa, para investigar os gastos com o evento, principalmente os relacionados à construção dos estádios e às obras de infraestrutura.

A professora mineira Kátia Fagundes, de 37 anos, que visita Brasília, aproveitou o passeio turístico à Esplanada dos Ministérios na manhã de hoje para ver de perto as manifestações pacíficas que ocupam dois pontos do gramado em frente ao Congresso. Segundo ela, a mobilização popular é justa e precisa ser mantida com responsabilidade. “É justo todo este movimento, o país estava precisando. Somos um país grande, de lutadores, e acredito que estamos renascendo das cinzas”, disse.

AGÊNCIA BRASIL
PORTUGUÊS DO BRASIL*
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