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As agressões a profissionais de saúde estão a aumentar e a preocupar os responsáveis pela área. A crise social e a incapacidade dos serviços são os fatores apontados para o aumento destas situações.

As agressões a médicos e enfermeiros têm aumentado e o ano passado atingiu máximos históricos. O Observatório da Direção Nacional da Violência contra os Profissionais de Saúde recebeu 477 queixas entre janeiro e outubro de 2014, o que se traduz numa média de mais de uma agressão diária.

Segundo o Diário de Notícias, a falta de capacidade de resposta dos serviços de saúde, os maiores tempos de espera e as dificuldades provocadas pela crise são alguns dos fatores que se tornam a gota de água e terminam em agressões a enfermeiros, médicos e outros profissionais de saúde.

Carlos Cortes, presidente da secção Centro de Ordem dos Médicos, refere que “há a crise que as pessoas estão a viver, a saúde está a responder menos, é mais difícil tratar, há barreiras colocadas em tudo: exames, taxas moderadoras nas urgências, no atendimento, nos transportes. As pessoas estão revoltadas e os profissionais de saúde estão na linha da frente”.

A região centro é a que tem um maior registo de queixas em 2013 e, juntamente com a Agência para a Prevenção do Trauma e da Violência contra Direitos Humanos, criaram uma parceria que encaminhará os casos mais complexos. “Os profissionais sentem-se desapoiados pelas administrações e é preciso criar mecanismos de apoio e garantir a integridade dos profissionais”, conclui Carlos Cortes.

Na Procuradoria-Geral distrital de Lisboa foram investigados 16 casos de agressões físicas ou verbais contra profissionais de saúde. Apesar de ainda não ser muito expressivo, este tipo de agressão foi o crime que mais subiu no primeiro semestre de 2014, mais de 170%. As mulheres são as principais vítimas mas também as principais agressoras.

A procuradora Elisabete Matos reconhece que os “inquéritos não são de facto muitos”. No entanto, justifica: “a Direção Geral da Saúde tem uma política de tolerância zero com as agressões que ocorrem contra os seus profissionais e muitas vezes, apesar de serem situações censuráveis, não configuram um crime”.

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