Fumar canábis torna realmente as pessoas mais preguiçosas e menos motivadas – mas só enquanto estão sob o efeito da droga.

“Apesar de a canábis ser famosa por reduzir a motivação, esta é a primeira vez que isso foi testado de forma confiável e quantificada com metodologias apropriadas”, explica Will Lawn, investigador do University College London (UCL) e autor principal do estudo.

No novo estudo, publicado na Psychopharmacy, Lawn e os seus colegas descobriram que os efeitos a curto prazo da canábis na motivação são significativos.

O estudo foi conduzido em duas partes: primeiro, 17 voluntários adultos que consumiam canábis ocasionalmente inalaram vapor de canábis através de um balão, e noutro momento separado inalaram vapor placebo. Imediatamente depois, os participantes tinham que completar uma tarefa em que a sua motivação para ganhar dinheiro era avaliada.

Os voluntários poderiam escolher completar tarefas que exigem pouco esforço ou tarefas que exigem muito esforço para ganhar diferentes quantias de dinheiro. Na opção mais fácil, os fumadores tinham que pressionar uma tecla de espaço com o dedo mindinho da sua mão não-dominante 30 vezes em 7 segundos para ganhar 0,50 libras. A opção mais difícil envolvia 100 toques na tecla em 21 segundos, com recompensa que variava entre 0,80 e duas libras.

“Descobrimos que as pessoas que tinham inalado vapor de canábis eram significantemente menos propensas a escolher a opção de maior esforço. Em média, os voluntários que inalaram o placebo escolheram 50% a opção de maior esforço pela recompensa de duas libras, enquanto os voluntários que inalaram vapor de canábis escolheram a tarefa mais difícil 42% das vezes”, descreve Valerie Curran, do departamento de Psicofarmacologia Clínica do UCL.

“Pressionar teclas repetidamente com um dedo não é difícil, mas é necessário esforço, o que torna a tarefa um útil teste de motivação”, explica a co-autora do trabalho.

Na segunda parte da experiência, 20 pessoas viciadas em canábis foram comparados a 20 participantes de um grupo de controlo com níveis semelhantes de dependência de outras drogas. Todos tinham que realizar as mesmas tarefas que o grupo da primeira fase do estudo, mas não poderiam consumir álcool ou drogas, nem tabaco ou café nas 12 horas que antecediam a experiência.

Curiosamente, os dependentes de canábis que estavam há 12 horas sem consumi-la mostraram o mesmo nível de motivação que o grupo controlo.

Isto mostra que os efeitos da canábis nos níveis de dopamina podem ser reversíveis quando o consumo é abandonado.

Quando as pessoas param de consumir canábis, o cérebro volta a produzir níveis normais de dopamina de forma lenta, aumentando a motivação.

Os investigadores ainda querem, no entanto, compreender melhor como funciona a relação entre motivação e uso em longo prazo da canábis.

Um estudo anterior realizado pelo Imperial College London, publicado em 2013 na Biological Psychiatry, apontou que o uso a longo prazo da droga destrói a dopamina, neurotransmissor responsável pela sensação de bem-estar, aprendizado, cognição e memória.

HypeScience

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