Uma grande investigação, realizada nos EUA, sugere que crianças que nasceram de cesariana têm um maior risco de vir a desenvolver obesidade, principalmente quando comparadas a irmãos nascidos de parto normal.

Os investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, sugerem que as crianças nascidas de cesariana apresentam maiores riscos de vir a desenvolver obesidade, escreve a BBC.

A equipa afirma que isto pode ocorrer porque os bebés nascidos de parto normal são expostos abactérias saudáveis, presentes no corpo da progenitora, que têm um papel importante para regular a sua dieta.

No entanto, outros especialistas declaram que pode haver outros fatores que influenciam a saúde da criança no futuro.

Entre estes fatores podem estar, por exemplo, a própria dieta da mãe, se esta teve ou tem diabetes e se o bebé foi amamentado.

Bebés que nascem de cesariana têm menos hipóteses de vir a ser amamentados e já foi provado que a falta de leite materno no início de vida pode aumentar o risco de obesidade.

O estudo, agora publicado na revista especializada Jama Pediatrics, acompanhou 22 mil bebés até à idade adulta.

Os investigadores americanos descobriram que os bebés que nasceram de cesariana tinham 15% mais hipóteses de vir a desenvolver obesidade.

Em famílias nas quais os filhos nasceram por métodos diferentes, os que nasceram por cesariana tinham 64% mais possibilidades de ser obesos, comparando com os irmãos nascidos através do parto normal.

Optar por uma cesariana

Porém, de acordo com Simon Cork, investigador associado do Departamento de Medicina Investigativa do Imperial College de Londres, no Reino Unido, existem muitos outros fatores que devem ser considerados quando se trata do risco de obesidade e não apenas o tipo de parto.

“No geral, a bibliografia sobre esta área sugere que pode haver uma ligação entre a cesariana e a obesidade. Mas esta ligação não está totalmente comprovada nem compreendida”, declara.

“Os partos por cesariana são, frequentemente, resultado de uma necessidade médica e, por isso, este risco supera qualquer preocupação da mãe com a possibilidade de, no futuro, as crianças terem problemas ligados ao peso”, explicou.

Neena Modi, presidente do Royal College of Paediatrics and Child Health, afirmou que ainda são necessárias mais pesquisas para comprovar se a cesariana aumenta mesmo a possibilidade de obesidade.

“A cesariana pode salvar as vidas de mulheres e dos seus filhos. Mas, nos dias de hoje, muitas mulheres estão a considerar a possibilidade de uma cesariana quando não é uma indicação do médico”.

“É importante que estas mulheres sejam informadas sobre a possibilidade do aumento do risco de obesidade nos filhos para ajudá-las a fazer uma escolha mais esclarecida“, alertou.

“Também é importante que os pais se concentrem em fatores que podem influenciar e que, definitivamente, têm um impacto na saúde da criança. Isto inclui manter um peso saudável na época da concepção e também durante a gravidez”, acrescentou.

ZAP / BBC

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