foto : Shawn Thew / Facebook

O homem que atirou um carro contra dois polícias, matando um deles, à entrada do Capitólio, nos EUA, foi identificado como Noah Green. Este homem de 25 anos foi atleta na Universidade e poderá ter agido devido a problemas mentais.

Noah Green não era conhecido da polícia de Washington antes do ataque e tinha um percurso aparentemente “limpo”, sem nada que levasse a suspeitar que poderia cometer um acto como aquele que ceifou a vida a um polícia, nesta sexta-feira, 2 de Abril.

Ele foi morto a tiro pelas autoridades depois de ter abalroado dois agentes com um carro, à entrada do Capitólio. Ainda terá esfaqueado um polícia.

Um dos polícias feridos também morreu. Tratava-se de um veterano que servia o Capitólio há 18 anos.

Os motivos do ataque ainda estão por apurar, mas a identificação do suspeito dá algumas pistas sobre as razões que o terão levado a agir daquela forma.

“A mente dele não parecia estar bem”

Noah Green estava desempregado e matriculado num curso online da Universidade Estadual da Flórida, após se ter formado na Universidade de Newport, onde jogou futebol americano, como se pode ver na sua ficha de atleta.

O tipo com quem eu joguei não é a mesma pessoa que fez isto“, conta ao USA Today o capitão da equipa onde o suspeito jogou, Andre Toran, descrevendo-o como alguém “muito calado”.

Toran revela, contudo, que o “estado mental de Green” se foi tornando motivo de preocupação para os seus amigos nos últimos tempos.

O USA Today refere que, durante a pandemia, Noah Green partilhou uma publicação no Facebook onde acusava os colegas de casa de o drogarem.

Depois disso, terá mudado de casa e terá partilhado mensagens onde falava de sintomas de “abstinência” das drogas, como “convulsões, falta de apetite”, bem como “paranóia” e “depressão”, além de “ideias suicidas”.

Um dos 9 irmãos do suspeito, Brendan Green, confirma ao jornal Washington Post que Noah estaria num estado de confusão mental.

Ele ter-se-á mudado de forma abrupta da Virginia para o Indiana e terá contado ao irmão que estava a sofrer de “alucinações, palpitações, dores de cabeça e pensamentos suicidas”.

“A mente dele não parecia estar bem”, conta o irmão do suspeito.

Além disso, Brendan Green assegura que Noah lhe contou, há alguns meses, que “a sua mente lhe estava a dizer para cometer suicídio” e que terá saltado para a frente de um carro.

O ex-oficial de operações secretas da CIA, Michael Baker, também acredita que, na base do ataque, pode estar, simplesmente, “um problema de saúde mental”, conforme declarações divulgadas pela Sky News.

Michael Baker lembra o facto de o Capitólio estar praticamente vazio no dia do ataque, o que sugere que não terá tido motivações terroristas, pois, neste caso, o suspeito escolheria um dia com mais movimento para causar mais impacto.

O chefe da Polícia Metropolitana de Washington, Robert J. Contee III, apontou já que o ataque “parece não estar relacionado com terrorismo”.

“Alá escolheu-me para outras coisas”

O perfil do Facebook de Noah Green foi despublicado após o ataque ao Capitólio.

Mas diversos jornais norte-americanos divulgam algumas das publicações que ele fez nos últimos dias, nomeadamente onde faz referências ao grupo extremista Nação do Islão que é descrito como tendo uma “teologia de superioridade negra inata sobre os brancos”, com uma “retórica profundamente racista, anti-semita e anti-LGBT”.

Noah Green era seguidor de Louis Farrakhan, líder do Nação do Islão, a quem chamava de “pai espiritual”.

“Alá escolheu-me para outras coisas”, teria escrito, salientando que depois de ter atravessado tempos “difíceis”, estava numa “jornada espiritual”.

Além disso, o suspeito também tinha publicações sobre o “fim dos tempos”, o “anti-Cristo” e o “controle da mente” por parte do Governo.

“O Governo dos EUA é o inimigo número 1 das pessoas negras”, terá escrito numa publicação antes dos ataques.

As autoridades vão agora cruzar informações das suas redes sociais com os seus registos telefónicos, para montar o puzzle em torno deste homem que passou do anonimato para a fama pelos piores motivos.

Susana Valente Susana Valente, ZAP //

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