foto : Miguel A. Lopes / Lusa

O Sindicato garante que a proposta que apresentou com acordo do governo foi rejeitada pela Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (Antram). Esta diz, por seu lado, que as condições que apresentou ao SNMMP foram as mesmas que ofereceu e foram aceites pela Fectrans e Sindicato Independente de Motoristas de Mercadorias (SIMM). Em consequência da falta de acordo, “a greve continua”, admitiu Pedro Nuno Santos.

“Depois de há dois dias [quarta-feira] ter-se conseguido um acordo histórico entre a Fectrans e a Antram, e depois de ontem o SIMM [Sindicato Independente de Motoristas de Mercadorias] se ter juntado à via negocial para resolver o conflito, o Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas pediu uma reunião”, começou por esclarecer o governante.

A Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (Antram) não esteve presente na reunião que decorreu no ministério, mas fez chegar uma proposta para o Governo discutir com o sindicato, segundo Pedro Nuno Santos.

Apesar das tentativas feitas pelo Governo para desbloquear o conflito, “houve propostas de parte a parte, tanto do sindicato como da Antram, que foram respetivamente recusadas“, esclareceu.

O ministro acrescentou também que, apesar de o comunicado que o SNMMP tornou público na sexta-feira prever a suspensão temporária da greve a partir do momento em que a reunião se iniciasse, “não existe a figura de suspensão, nem de suspensão temporária”.

Segundo a Antram, “o aumento que o sindicato quer, além de incomportável, é discriminatório face aos colegas associados da Fectrans e do SIMM [SindicatoIndependente dos Motoristas de Mercadorias]”, afirmou à agência Lusa o porta-voz. André Matias de Almeida disse que a Antram espera agora que no plenário que o SNMMP vai realizar no domingo, em Aveiras de Cima (Lisboa), “haja uma sensibilização dos associados [do sindicato] e que possam compreender que as empresas estão no seu limite”.

“Trabalhámos em conjunto com o senhor ministro uma proposta que seria razoável para desbloquear a situação. A Antram rejeitou a proposta e a greve mantém-se”, afirmou à agência Lusa Pedro Pardal Henriques.

Os representantes do SNMMP iniciaram às 16h00 de sexta-feira uma reunião com o ministro das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos, em Lisboa, que terminou cerca das 2h00.

Governo disponível para alargar serviços mínimos

O primeiro-ministro garantiu que o Governo está disponível para adotar todas as medidas para que o país não pare, caso seja prolongada a greve dos motoristas de matérias perigosas — e recorda que os serviços mínimos podem ser alargados.

“Uma coisa é certa: até agora, o planeamento e as medidas tomadas garantiram que o país não parou. E o país não vai parar. Estamos disponíveis para adotar todas as medidas que venham a ser necessárias para garantir esse objetivo”, afirmou António Costa, na primeira parte de uma entrevista ao semanário Expresso, publicada.

A entrevista foi dada antes de ser conhecida a reunião do Sindicato Nacional de Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) no Ministério das Infraestruturas e da Habitação. Segundo António Costa, o Governo tem “procurado sempre uma atitude equilibrada e no âmbito do estritamente necessário”, pelo que só decretou “serviços mínimos quando se esgotaram as hipóteses de mediação do conflito, quando as partes não se entenderam sobre eles”.

“Só decretámos a requisição civil quando houve violação do cumprimento dos serviços mínimos e só na medida em que foram violados”, frisou. O primeiro-ministro recordou o parecer do Conselho Consultivo da Procuradoria-Geral da República para afirmar que “não só os serviços foram adequados como até podem ser alargados em caso de necessidade“.

À pergunta se o Governo teria capacidade para aguentar até às eleições esta greve se fosse preciso, António Costa declarou que o executivo “não está de forma alguma limitado nas suas competências pelas eleições e já demonstrou que não está disponível para se condicionar politicamente pelas eleições”.

“Não vale a pena alguém pensar que, pelo facto de haver eleições, é agora que vão dar o tudo ou nada, porque não estamos reféns das eleições: estaremos até ao último dia deste Governo concentrados em assegurar o interesse nacional e as necessidades dos portugueses”, garantiu. Confrontado de que seria um grande risco para o PS se esta situação corresse mal, o primeiro-ministro e líder socialista declarou que “esse é o risco menos relevante, o principal é o risco para o país”.

Costa referiu que “não vale a pena alimentar cenários de agravamento do conflito” numa semana em que se tem verificado o seu progressivo desagravamento com o acordo com a Fectrans, a afeta à CGTP, e o cancelamento da greve por parte do Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias.

Sobre se considera razoável a forma como a classe dos motoristas é remunerada, o chefe do executivo reconheceu que “o país tem um problema geral de vencimentos”, sendo que um dos desafios da economia e sociedade portuguesas é melhorar a produtividade para se conseguir “aumentar significativamente os vencimentos”.

Na entrevista ao Expresso, Costa rejeita ainda a possibilidade de alterações à lei da greve, defendidas pelo CDS-PP. “Basta ver o atual programa do PS e do Governo, para ver que não está prevista nenhuma alteração à lei da greve”, declarou.

ZAP // Lusa

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