Os árbitros de primeira categoria poderão dar um murro na mesa e não iniciar a próxima temporada, caso os clubes portugueses não aprovem as suas propostas de alteração ao Regulamento Disciplinar.

Segundo o Diário de Notícias, os árbitros de primeira categoria que apitam os escalões profissionais estão a ponderar não iniciar a próxima época. Será este o murro na mesa caso os clubes portugueses não aprovem um conjunto de alterações ao Regulamento Disciplinar que os proteja do clima de intimidação de que têm sido alvos.

O jornal apurou que os árbitros, juntamente com uma equipa de advogados, estão a analisar os atuais regulamentos para apresentarem propostas de alteração que entrem em vigor já na próxima temporada. O objetivo é apresentar estas medidas em Assembleia Geral da Liga, que geralmente acontece em junho, para que sejam votadas e aprovadas pelos clubes.

Entre as alterações que estão a ser estudadas, o DN conta que os juízes querem que “quem os atinja na dignidade” ou os coloque a si e às suas famílias sob ameaça “seja alvo de castigos mais pesados” mas também que haja maior rapidez no julgamento de cada caso, nomeadamente entre uma a duas semanas.

Os juízes pretendem ainda que haja uma maior “responsabilização dos clubes”, ou seja, pelas declarações dos seus comentadores em programas televisivos, dirigentes de claques e diretores de comunicação.

Já foram feitas 52 participações

Escreve ainda o Diário de Notícias que, só esta época, a Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol (APAF) já apresentou 52 participações por delitos cometidos contra equipas de arbitragem.

De acordo com o presidente deste organismo, Luciano Gonçalves, este é um número que “mais do que duplica”, tendo em conta todas as participações da época passada, “entre 26 e 28 feitas ao Ministério Público, à PSP e à GNR”, refere.

Neste número já estão incluídos os casos mais mediáticos deste ano, como a invasão ao centro de treinos dos árbitros na Maia, no início de janeiro, e os atos de vandalismo no estabelecimento do pai de Jorge Ferreira, em Fafe, na madrugada de ontem.

Apesar destes episódios, o presidente da APAF assegura que “os árbitros estão tranquilos e descansados” mas deixa um aviso: “saberemos quando o momento de dizer basta”.

Linha SOS protege árbitros

Segundo o Correio da Manhã, devido a estas situações, os árbitros estão a ser apoiados por uma linha SOS direta à PSP e à GNR, “aberta para denúncias de agressões concretizadas, ameaças ou de simples desconfianças”.

No entanto, como a linha disponibilizada só funciona em horário de expediente, todos os árbitros têm ainda à sua disposição os números de telefone dos comandantes ou responsáveis das esquadras da PSP e postos da GNR das áreas da respetiva residência, escreve o CM.

O diário conta que o objetivo é colocar no terreno “agentes à civil” para despistar este tipo de situações. Há algumas semanas, um árbitro beneficiou deste apoio, quando se preparava para jantar com a família num restaurante em Matosinhos.

ZAP //

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