foto : asia4510 / Flickr

O mercado imobiliário está a abrandar e nos próximos tempos, a previsão aponta para uma diminuição na venda de casas. Uma circunstância que se prende com o poder de compra dos portugueses que não têm dinheiro para pagar os valores que se praticam no mercado.

“Houve duas tendências que se destacaram no imobiliário em 2018 e vão continuar em evidência: a queda do poder de compra dos portugueses e o acentuar do gap entre oferta e procura”. Esta é a análise do CEO da imobiliária Century Portugal, Ricardo Sousa, que, em declarações ao Dinheiro Vivo, constata que 20% das pessoas que procuraram casa no ano passado acabaram por desistir do negócio.

“As pessoas até querem comprar, mas não podem pagar ou não querem abdicar de factores como a zona, por isso acabam por sair do mercado”, explica Ricardo Sousa, realçando que “isto faz com que o número de transacções abrande” porque “a maioria das pessoas que compram casa está a vender casa”. “Ora, se não compram, também não colocam a sua no mercado e há menos oferta“, conclui.

Ricardo Sousa nota que “os custos de construção dispararam por causa da falta de mão-de-obra e da carga fiscal”. “O valor médio de construção mais os valores da venda de terrenos e de edifícios fazem com que, matematicamente, seja impossível colocar imóveis no mercado dentro dos preços que os portugueses podem pagar“, constata ainda.

Este responsável fala também das “expectativas irrealistas” dos proprietários que, “por desconhecimento ou porque conhecem alguém que vendeu o metro quadrado a cinco ou seis mil euros, ficam com grandes números na cabeça e as casas usadas vão para o mercado com um preço muito acima do valor real“.

O CEO da Century repara que “2018 foi um ano marcado por alguns excessos” neste âmbito, como cita o Expresso, recomendando aos proprietários para terem “bom senso” e serem “flexíveis nos preços que pedem para venda das casas”.

Mas olhando para o cenário actual, “por não haver oferta suficiente para o poder de compra dos portugueses”, é seguro que “o número de transacções vai abrandar“, constata Ricardo Sousa.

Este elemento destaca que há “uma oportunidade de negócio na classe média e média baixa”, onde se situa “a esmagadora maioria dos portugueses” e onde se verifica uma procura grande “que não está a ser atendida”. O problema é que “muita da construção que vai sair são casas grandes, de luxo, ou casas muito pequenas, para turismo“.

“Os principais actores do sector imobiliário têm de criar soluções em linha com as expectativas e a capacidade financeira das famílias portuguesas”, recomenda Ricardo Sousa.

ZAP //

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