A crise financeira em Angola está a ter repercussões preocupantes nas Embaixadas fora do país, onde se vão acumulando os salários em atraso aos funcionários e as dívidas a fornecedores. Lisboa e Paris são exemplos da crise e já há quem tenha que levar papel higiénico de casa por não haver dinheiro para o comprar.

O semanário Expresso relata que na Embaixada de Angola em Lisboa, a maioria dos 80 funcionáriosnão recebe salário desde Março, tendo também subsídios por pagar.

Em Paris, a situação será semelhante, com ordenados em atraso há cerca de três meses, de acordo com o semanário.

E a situação não será exclusiva das Embaixada em Portugal e em França, verificando-se na “generalidade das missões diplomáticas angolanas, especialmente na Europa”, conforme apurou o Expresso que fala de um caso “muito preocupante”.

Além de estar a afectar a vida dos funcionários, a falta de dinheiro não permite às Embaixadas “pagar aos prestadores de serviços e as dívidas vão-se acumulando todos os dias”, refere ao jornal um funcionário da delegação de Angola em Lisboa.

“Com a actual situação, já há trabalhadores a trazer das suas casas papel higiénico, água e sabonete para lavar as mãos, devido à incapacidade de a Embaixada adquirir estes produtos porque as empresas se recusam a prestar mais serviços enquanto não virem pagas as facturas em dívida”, reporta a mesma fonte não identificada pelo semanário.

O mesmo funcionário lamenta que alguns dos trabalhadores da Embaixada de Lisboa estão “na iminência de perder as suas casas e outros bens por falta de pagamento aos bancos”.

Angola atravessa uma grave crise financeira, sobretudo por causa da queda no preço do petróleo, e já pediu assistência ao FMI. O governo foi obrigado a apertar o cinto e os cortes chegaram ao salário de 9 mil euros do presidente José Eduardo dos Santos.

Entretanto, o país tem procurado diversificar a sua actividade económica, para não ser tão dependente do petróleo. Nesse sentido, tem apostado na revitalização da cultura da banana e na exploração de ouro.

Muitos portugueses que trabalham no país também estão a sentir na pele a crise, com salários em atraso.

ZAP

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