O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário, defendeu esta sexta-feira que os empresários da diáspora são fundamentais para ajudar Portugal a ultrapassar a crise.

“Podem ajudar Portugal comprando mais produtos portugueses, investindo cá, fazendo parcerias com empresas portuguesas para investir ou em Portugal ou em outros países, de maneira a aprofundarem e aumentarem trocas comerciais”, afirmou José Cesário aos jornalistas em Viseu, onde decorre até domingo o Encontro Mundial de Empresários da Diáspora.

Durante a tarde, foram ouvidas queixas de vários empresários portugueses que estão no estrangeiro e queriam investir em Portugal, mas esbarraram em burocracias.

“É preciso perceber que Portugal tem estado quase exclusivamente virado para o mercado interno. Nem sequer esteve claramente predisposto a utilizar o mercado natural que tem no exterior”, frisou José Cesário.

Segundo o secretário de Estado, depois de “décadas de dependências que foram extremamente negativas”, desde há cerca de dois anos está a ser criada “uma nova cultura de investimento”, que implica a adaptação “da administração, das empresas e das universidades”, entre outros organismos.

“Não podemos olhar para o mercado confinado apenas a este ou aquele país ou ao nosso. Temos de olhar para o mercado globalmente e perceber quais são os principais pontos de apoio que temos no exterior”, afirmou.

José Cesário admitiu que Portugal não soube lidar da forma mais adequada com os investidores estrangeiros em Portugal, nem com os investidores nacionais no estrangeiro.

“Depois aparecem-nos exemplos de pessoas que estão há nove ou doze anos à espera de licenças que nunca andam. Nunca andam porque a nossa burocracia é muito pesada e a máquina administrativa não está preparada para atender estas pessoas”, lamentou, acrescentando que “ainda há muito a fazer”.

O administrador do jornal Mundo Português, Carlos Morais, considerou que, “face à crise que hoje Portugal tem, há inúmeras oportunidades” de negócio que podem ser aproveitadas pelos empresários da diáspora.

“Se as casas hoje estão mais baratas, se é possível comprar uma quinta ou um negócio imobiliário a quase 30% do preço, porque não comprar?”, questionou, defendendo que “é essa mentalidade que tem de ser despertada nos milhares de portugueses que estão lá fora” e querem aplicar as suas poupanças.

Na opinião de Carlos Morais, “investir em Portugal é hoje uma ótima oportunidade” e, por isso, “há que estar atento e saber ler os movimentos ao contrário: investe-se em baixa para ganhar em alta”.

O Encontro Mundial de Empresários da Diáspora, que reúne mais de 40 empresários em Viseu, pretende mostrar que “há um caminho pós-crise e, quem tiver capacidade de investimento neste momento, compra excelentes negócios, espera um pouco e a seguir dá um salto”.

Sendo portugueses, os empresários têm a vantagem de “conhecerem a indústria, o mercado e falarem o português”, realçou.

NOTICIA LUSA
FOTO:NUNO ANDRE FERREIRA/LUSA
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