foto : Marcos Santos / USP Imagens

Pela primeira vez, um relatório da Inspeção-geral da Educação e Ciência (IGEC) mostra as estratégias utilizadas pelas escolas para inflacionar as notas dos seus alunos, facilitando assim o acesso ao ensino superior.

Tal como nota o jornal Público, que avança com os dados nesta segunda-feira, esta não é uma prática nova no entanto, frisa, é a primeira vez que um documento faz uma radiografia ao fenómeno, notando que as escolas contornam os seus próprios critérios de forma a conseguir atribuir notas mais elevadas aos alunos.

De acordo com o documento a que o diário teve acesso, há determinados domínios como a oralidade ou as atividades laboratoriais que, por não terem testes ou outros critérios mensuráveis que permitam suportar as avaliações feitas pelos docentes, são usados para puxar para inflacionar as notas dos alunos.

O IGEC utiliza, a título de exemplo, a disciplina de Português. Por regra, é atribuído ao parâmetro de avaliação “oralidade” um peso de 20% na nota final da disciplina. Segundo o documento, são comuns os exemplos de alunos com classificação 20, nota máxima, neste domínio, sem que a razão para essa avaliação seja clara.

Outro fator utilizado para subir as notas dos alunos prende-se como o “domínio social e afetivo”. A ponderação desta dimensão – que incluiu variáveis como o comportamento, a assiduidade e a pontualidade – pode variar, dependendo das escolas ou da disciplina, entre os 5% e os 30% da nota final. Uma vez mais, nota o relatório, há vários casos de alunos que têm muitas vezes a nota máxima sem justificação.

Em 2017, a IGEC realizou “operação de verificação” em 12 escolas, entre as quais oito privadas. A maioria destes estabelecimentos de ensino (9) estava localizada na região norte. A cada uma destas escolas, a inspeção-geral mandou uma equipa de dois inspetores, que passaram dois a três dias na escola, avaliando os seus procedimentos de avaliação, entre outras práticas.

Cada uma destas visitas deu origem um relatório, com um conjunto de recomendações para que a escola alterasse alguns dos seus procedimentos a fim de corrigir os desalinhamentos das notas. Foi depois feita uma segunda intervenção, já depois dos exames nacionais de 2016/17, em que os inspetores verificaram se as recomendações feitas foram acolhidas pelas escolas.

Tal como nota o relatório final agora divulgado pelo Público, a intervenção da IGEC teve efeitos positivos: 80% das escolas melhoraram o valor do indicador de alinhamento das notas internas — isto é, as classificações internas dos alunos – que são atribuídas pelos professores – estão agora mais próximas das classificações que estes conseguem obter nos exames nacionais.

ZAP //

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