O museu Anne Frank divulgou o resultado de uma investigação que diz que a adolescente judia e a família podem não ter sido denunciados, mas sim encontrados “por acaso” no apartamento secreto em Amsterdão.

Um novo estudo sugere que os polícias que fizeram uma inspeção na casa onde se escondia Anne Frank investigavam, de facto, suspeitas de fraude com senhas de racionamento e de emprego ilegal, indicou o museu.

“A questão foi sempre: Quem denunciou Anne Frank e os outros clandestinos?, mas concentrar-se numa denúncia limita as perspetivas sobre a detenção”, indicou o museu, que se situa no edifício onde Anne Frank viveu escondida do regime Nazi durante dois anos.

A adolescente e a família entraram na clandestinidade em julho de 1942 no apartamento secreto da empresa familiar – ao qual chamaram “o anexo” – para escapar aos nazis.

A família ficou ali escondida durante dois anos, até ser descoberta e deportada. Mas nenhum estudo determinou até hoje quem poderia ter denunciado os que se escondiam no anexo.

Foi naquele apartamento que a adolescente escreveu o seu diário, uma das obras mais lidas no mundo, que já vendeu mais de 30 milhões de exemplares e da qual há traduções em 67 línguas.

Baseando-se em passagens do diário, de março de 1944, e em novos documentos, o investigador Gertjan Broek concluiu “que se passavam mais coisas no 263 Prinsengracht do que apenas pessoas escondidas no anexo secreto”.

Funcionários de outra empresa, sediada no mesmo edifício, tinham sido detidos alguns meses mais cedo por tráfico de senhas de racionamento, o que teria levado à operação de busca na qual os clandestinos seriam descobertos “simplesmente por acaso”.

“Este novo estudo não refuta a possibilidade de os clandestinos terem sido denunciados, mas demonstra que outros cenários devem ser igualmente examinados”, afirmou o diretor executivo do museu, Ronald Leopold.

“Esperemos que outros investigadores vejam o interesse de seguir estes novos indícios”, acrescentou.

Anne Frank, uma das vítimas do Holocausto, tornou-se uma figura famosa após a publicação do Diário de Anne Frank, que tem sido a base para várias peças de teatro e filmes ao longo dos anos.

ZAP / Lusa

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