No passado dia 12 de Setembro foi inaugurada na Biblioteca Nacional de Lisboa (BNL) uma pequena mas excelente exposição sobre Fernando Pessoa em Espanha, organizada por António Saénz Delgado, professor da Universidade de Évora, e por Jerónimo Pizarro, da Universidade de Bogotá (Colômbia), e Prémio Eduardo Lourenço 2013.

Estes dois especialistas da obra no nosso maior poeta depois de Camões estão de parabéns pela iniciativa. Com meios muito modestos, conseguem ensinar-nos que Pessoa, que nunca atravessou a fronteira espanhola, esteve atento à «questão ibérica» e às autonomias do país vizinho, desenvolvendo contactos com poetas espanhóis, e que foi em Espanha, antes de França e da Itália, por exemplo, que teve livros traduzidos e estudos críticos relevantes sobre a sua obra.

Dividida em quatro partes, a exposição é cronológica: começa ainda durante a Primeira Guerra Mundial, 1915-1918, com cartas e postais, livros e revistas modernistas; há documentos de outros escritores, amigos e reconhecedores da sua obra, que cerca de duas décadas mais tarde também reagem à sua morte; e podemos ver ainda algumas das suas edições espanholas da década de 1950 em diante e os melhores ensaios sobre a sua obra publicados em castelhano e catalão.

Uma curiosidade é a carta astrológica da Segunda República Espanhola, que Pessoa desenhou. Saénz Delgado referiu-se à edição recente de Ibéria, compilação de escritos do poeta sobre o país vizinho e as relações luso-espanholas encontrados no seu Espólio, sublinhando a surpreendente actualidade do pensamento pessoano. A edição é da Ática.

A directora da BNL dirigiu-se aos poucos presentes nesse acto, recebendo com simpatia e cortesia os vários representantes da Embaixada de Espanha em Lisboa, que com a sua presença institucional sublinharam a relevância desta exposição para as relações culturais bilaterais. Alguns presentes estranharam a ausência da directora da Casa Fernando Pessoa num acto deste significado, mas outros não. O vinho foi oferecido pelos espanhóis.

A exposição fica até  31 de Dezembro, de segunda a sexta das 9h30 às 19h30, e aos sábados das 9h30 às 17h30. A entrada é livre. Aproveite!

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Reportagem e fotos: Tomás Rosa* - iPressGlobal
*Artigo escrito sem o novo acordo ortográfico

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