Um estudo internacional revelou que os homens podem ter em breve uma boa opção de contraceptivo injetável, que funciona em mais de 95% dos casos. No entanto, o estudo acabou por ser suspenso ao concluir-se que o desconforto dos efeitos secundários – que as mulheres aguentam há mais de meio século – era demasiado para os homens aguentarem.

Os investigadores ainda estão a trabalhar para aperfeiçoar a combinação de contraceptivos hormonais e reduzir o risco de efeitos colaterais, incluindo depressão e distúrbios de humor.

Enquanto as mulheres podem escolher entre uma série de métodos de controlo de natalidade – apesar dos efeitos secundários dos contraceptivos hormonais poderem incluir dores de cabeça, náuseas, aumento de peso, diminuição da libido, mudanças de humor e muito mais -, os homens têm poucas opções. Os mais comuns disponíveis incluem usar preservativo ou submeter-se a uma vasectomia.

“O estudo descobriu que é possível ter um contraceptivo hormonal para homens que reduz o risco de gravidezes não planeadas nas suas parceiras”, disse um dos autores do estudo, Mario Philip Reyes Festin, da Organização Mundial da Saúde (OMS) em Genebra, na Suíça.

“Os nossos resultados confirmam a eficácia deste método contraceptivo visto anteriormente em pequenos estudos”, acrescentou o cientista, citado pelo Science Daily.

A experiência

Já numa segunda fase, o estudo testou a segurança e a eficácia dos contraceptivos injetáveis em 320 homens saudáveis com idade entre 18 a 45 anos.

Os participantes estavam em relações monogâmicas heterossexuais com parceiras de idades entre 18 e 38 anos por, pelo menos, um ano. Os homens foram submetidos a testes para assegurar que tinham uma contagem de esperma normal no início do estudo.

Em seguida, receberam injeções de 200 miligramas de uma progesterona de longa ação chamada enantato de noretisterona, e 1.000 miligramas de um andrógeno de longa ação chamado undecanoato de testosterona, por até 26 semanas.

O objetivo era suprimir as contagens de esperma. Os homens tomaram duas injeções a cada oito semanas. Amostras de sémen foram recolhidas após oito e 12 semanas na fase de supressão e, em seguida, a cada duas semanas até ter critérios para a fase seguinte.

Durante este tempo, os casais foram instruídos a usar os outros métodos de controlo de natalidade não hormonais.

Resultados

Quando a contagem de esperma de um participante foi reduzida para menos de 1 milhão/ml em dois testes consecutivos, o casal foi convidado a contar somente com as injeções para o controlo de natalidade.

Durante este período, conhecido como a fase de eficácia do estudo, os homens continuaram a receber injeções de oito em oito semanas por até 56 semanas.

Os participantes forneceram amostras de sémen a cada oito semanas para garantir que as suas contagens de esperma permaneciam baixas. Quando os participantes pararam de receber as injeções, foram monitorizados para ver quão rapidamente as suas contagens de esperma voltavam a níveis normais.

O contraceptivo foi eficaz na redução da contagem de esperma dentro de 24 semanas em 274 dos participantes. Funcionou em cerca de 96% dos utilizadores contínuos. Apenas quatro gestações ocorreram durante a fase de eficácia do estudo.

Os resultados foram publicados na Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism.

Efeitos colaterais

Os investigadores pararam de juntar novos participantes ao estudo em 2011 devido à taxa de ocorrências adversas, particularmente depressão e outros transtornos do humor.

Os homens relataram efeitos colaterais incluindo dor no local da injeção, dor muscular, aumento da libido e acne. Vinte homens abandonaram o estudo devido a efeitos secundários.

Apesar dos efeitos adversos, mais de 75% dos participantes relataram estar dispostos a utilizar este método de contracepção na conclusão do estudo.

Dos 1.491 eventos adversos relatados, os eventos adversos graves que foram avaliados como provavelmente ou possivelmente relacionados com o estudo incluíram um caso de depressão, uma sobredosagem intencional de paracetamol, e um homem que experimentou um batimento cardíaco anormalmente rápido e irregular depois de deixar de receber as injeções.

O resultado foi o adiamento da comercialização do contraceptivo para se aperfeiçoar o medicamento e eliminar os referidos efeitos desconfortáveis.

“Mais estudos são necessários para avançar este conceito a ponto de poder ser amplamente divulgado para homens como um método de contracepção”, disse Festin.

“Embora as injeções tenham sido eficazes na redução da taxa de gravidez, a combinação de hormonas necessita ser estudada mais a fundo para considerar um bom equilíbrio entre eficácia e segurança“.

A primeira pílula para mulheres foi lançada há mais de cinco décadas, em 1962. Além de efeitos secundários semelhantes aos verificados neste novo ensaio, a pílula combinada traz perigos sérios como o risco aumentado de AVC, cancro na mama e no colo do útero, o de trombose venosa profunda (que afeta duas em cada 10 mil mulheres) e que pode ser fatal.

No caso delas, a comunidade científica sempre considerou que os benefícios superavam os riscos

HypeScience

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