foto: Manuel de Almeida / Lusa

O mega-consórcio que estava a ser idealizado para o projeto de hidrogénio verde em Sines não deverá avançar. João Galamba quer cooperar com a China.

H2 Sines estava a ser estudado por um grupo de empresas — incluindo EDP, Galp, Martifer, REN e Vestas —, que avaliaram a viabilidade de avançar em conjunto para a implementação de um cluster industrial de produção de hidrogénio verde em Sines.

Dinheiro Vivo escreve que o projeto não deverá avançar em formato de mega-consórcio. “Ainda estamos dentro do contexto de avaliação do projeto, mas a probabilidade de vir a cair é grande”, admitiu fonte ligada ao processo.

Um dos principais pontos de desacordo é a ideia do Governo de criar uma cadeia de valor para a exportação para o Norte da Europa.

No entanto, embora o mega-consórcio não deva avançar, isto não significa que o projeto do hidrogénio verde esteja em causa. Por sua vez, as empresas deverão avançar individualmente com os seus próprios investimentos.

Na sexta-feira, na apresentação do seu plano estratégico 2021-2024, a REN mencionou que está previsto um investimento de 40 milhões de euros para a compatibilização da rede de gás com a injeção de hidrogénio.

“Temos em concreto e para o horizonte desta estratégia um investimento de 40 milhões de euros, dos quais 15 milhões estão associados a projetos na rede de gasodutos e 25 milhões de euros na concessão da REN armazenagem, para o Carriço”, disse o administrador das Redes Energéticas Nacionais, Rodrigo Costa.

Também na apresentação do novo plano estratégico para 2021-2025, a EDP prevê um investimento da mesma ordem de grandeza. A nível global, a elétrica tem cerca de duas dezenas de projetos nesta área.

Contactada pelo Dinheiro Vivo, fonte da Galp sublinhou que a petrolífera “mantém todo o interesse e empenho no hidrogénio verde”.

O investimento a realizar ficará provavelmente longe dos 1,5 mil milhões de euros previstos pelo consórcio H2 Sines, mas a subsidiação ao projeto será igualmente menor.

O Governo aposta muito pouco da bazuca nestes projetos comparativamente com outros países”, referem fontes contactadas pelo diário económico.

Galamba quer cooperar com a China

O Secretário de Estado Adjunto e da Energia, João Galamba, disse que Portugal quer cooperar com a China no hidrogénio verde, avançou a Embaixada chinesa em Lisboa.

Segundo um comunicado, João Galamba disse que Portugal gostaria de receber mais investimento chinês e alargar a cooperação com a China no setor da energia aos veículos elétricos e ao hidrogénio verde.

O dirigente falava durante uma videoconferência com o novo Embaixador da China em Portugal, Zhao Bentang, na semana passada.

O diplomata disse que a China está disposta a trabalhar com Portugal para reforçar a cooperação na área das energias renováveis.

Zhao Bentang sublinhou ainda que a cooperação bilateral tem beneficiado não apenas os dois países, “mas tem também dado frutos” em outros mercados como a América Latina e a África.

Portugal pode atingir a neutralidade carbónica antes de 2050, segundo um estudo hoje divulgado, em que se preconiza um investimento inicial recuperável a longo prazo.

No estudo, elaborado pela consultora McKinsey&Company, defende-se que Portugal precisa de estimular a adoção de veículos elétricos e o desenvolvimento de novas cadeias de valor, incluindo o hidrogénio verde.

Daniel Costa Daniel Costa, ZAP // Lusa

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