A ilha cabo-verdiana de Santiago conta com uma nova barragem, a quarta inaugurada num ano em que a época das chuvas foi muito fraca e tem obstado o enchimento das respetivas albufeiras.

 

A inauguração da Barragem de Figueira Gorda, no concelho de Santa Cruz, nordeste da ilha, junta-se às quatro já existentes: três entraram em funcionamento este ano – Salineiro (Ribeira Grande), Saquinho (Santa Catarina) e Faveta (São Salvador do Mundo) – e a restante foi edificada em 2006, a do Poilão (São Lourenço dos Órgãos).

Em fase final de construção estão as barragens de Principal e de Flamengos (norte da ilha), estando marcada para dia 15 deste mês a inauguração da primeira fora de Santiago, a de Canto Cagarra, em Santo Antão.

A barragem de Figueira Gorda, orçada em 3,7 milhões de euros e construída pela empresa portuguesa Conduril, terá a maior albufeira do país, é a maior infraestrutura hidráulica de Cabo Verde, com capacidade para armazenar cerca de 1,5 milhões de metros cúbicos de águas pluviais, e vai obrigar à reinstalação de 30 famílias.

A barragem, em cuja inauguração esteve presente o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação português, Luís Campos Ferreira, tem 32 metros de altura, com uma galeria para monitorização técnica e com um descarregador de superfície, com capacidade para irrigar uma área total de 120 hectares.

O primeiro-ministro cabo-verdiano, José Maria Neves, desdramatizou a falta de água nas albufeiras, à exceção da do Poilão, salientando que as fracas chuvas não vão durar sempre e que, quando voltarem, Cabo Verde terá já infraestruturas criadas para “gerar grande impacto” na economia do arquipélago.

“São infraestruturas importantes, mesmo não tendo chovido este ano. Mas, nos próximos anos, e nos seguintes, vão ter um impacto enorme nesta bacia hidrográfica”, afirmou, mantendo a convicção de se continuar a investir em barragens, reservatórios, sistemas de rega gota a gota e infraestruturas agrícolas.

“Penso que aqui é que está o futuro de várias ilhas para podermos desenvolver o agronegócio, criar novas dinâmicas de crescimento, gerar empregos, combater a pobreza e corrigir as desigualdades que ainda existem no meio rural”, argumentou, realçando os milhares de famílias que irão beneficiar no futuro.

A região de Justino Lopes, outrora o “celeiro” da ilha de Santiago – já foi o maior complexo agroindustrial -, tem potencial para voltar aos tempos áureos, salientou o chefe do executivo cabo-verdiano, admitindo, ao mesmo tempo, a “desatenção” que foi dada ao desenvolvimento rural, agricultura, pecuária e a indústria alimentar.

“Cabo Verde já está habituado à seca. Temos de continuar perseverantes, mesmo nestes anos mais difíceis, para que possamos ter condições de desenvolver o país, em especial o meio rural. Vamos continuar a investir nas infraestruturas agrícolas, na gestão da água e da recolha do pasto e no apoio aos agricultores e criadores”, disse.

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