Uma ironia macabra foi a descoberta dos restos mortais do líder da Gestapo Heinrich Muller, que mandou executar milhares de pessoas no Holocausto e de quem não se sabia o paradeiro desde 1945, num cemitério judeu junto das suas vítimas.

Heinrich Muller foi visto pela última vez no bunker da Chancelaria, em Berlim, a 26 de Abril de 1945, dirigindo o cruel interrogatório a Hermann Fegelein, cunhado de Eva Braun (a companheira de Hitler), que viria mais tarde a ser executado.

A guerra estava perdida, Hitler refugiava-se no seu bunker e as bombas russas caíam sobre Berlim. Com todo o dinheiro que tinha escondido numa bolsa e disfarçado de civil, Fegelein foi capturado quando se dirigia para o apartamento da sua amante, com quem planeava fugir para a Suécia. Submetido a tortura pelos últimos SS de Berlim, foi considerado traidor e fuzilado por ordem expressa de Adolf Hitler.

Segundo o jornal espanhol “El Mundo”, o chefe máximo da Gestapo ( polícia secreta da Alemanha nazi), Heinrich Muller foi um dos arquitectos da exterminação de judeus durante o Holocausto e a execução de Hermann Fegelein o seu último serviço conhecido para o III Reich.

Depois, desapareceu sem deixar rasto.

Em Maio de 1945 foi declarado morto mas, mais tarde, veio a verificar-se que o seu corpo não se encontrava na campa correspondente, no cemitério de NeuKolln. Correram rumores de que tinha sido preso pela NKVD soviética ou que teria sido capturado pela CIA em 1974, mas nunca houve uma confirmação. Os serviços secretos israelitas chegaram, inclusivamente, a procurá-lo na Argentina nos anos 70, mas em vão.

“Gestapo Muller”, como era conhecido entre a elite nazi, conseguiu enganar toda a gente até que o professor Johannes Tuchel, diretor do Memorial da Resistência Alemã conseguiu encontrar os seus restos mortais. Estavam enterrados há 68 anos num cemitério judeu, último lugar, certamente, onde os seus perseguidores o iriam procurar.

Tuchel efetuou uma investigação exaustiva, revendo todas as notas e arquivos oficiais de todos os distritos de Berlim em busca do nome de Heinrich Muller, até dar com um documento do Registo Civil de Mitte onde constava a sua morte e que tinha sido enterrado num cemitério judaico do mesmo bairro. tratou-se de um enterro temporário, uma vez que a destruição causada pela guerra impedia o normal funcionamento dos cemitérios, e acabou por ser esquecido, até hoje.

Tuchel revelou que o corpo do oficial nazi foi encontrado pelos Aliados e identificado em Agosto de 1945 num túmulo provisório, perto do ministério da Aviação do Reich. A identificação foi possível porque Müller ainda usava o uniforme de general e tinha no bolso a folha de serviços. Por motivos ainda desconhecidos, foi depois levado para uma vala comum do cemitério judeu de Mitte.

Dieter Graumann, presidente do Conselho Central Judaico em Berlim, afirmou ao jornal alemão Bild Zeitung que “o facto de uma dos mais sádicos e brutais nazis ter sido enterrado num cemitério judaico é uma monstruosidade e um atentado à memória das vítimas”.

COMPARTILHAR

DEIXE O SEU COMENTÁRIO

Por favor escreva o seu comentário!
Por favor introduza o seu nome aqui

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.