A intenção demonstrada recentemente pelo Governo e, apoiada pelo Presidente da República, em eliminar o pagamento das propinas no ensino superior, é notoriamente mais uma medida populista em véspera de eleições.

O custo suportado pelas famílias em relação ao ensino superior, tem a sua maior despesa não no valor das propinas, mas sim nas deslocações e alojamento de grande parte dos estudantes que se encontram deslocados. Por esse motivo esta medida a ser implementada de pouco servirá para uma família de baixos rendimentos que queira manter os seus filhos no prosseguimento de estudos. Por outro lado, para as famílias de maiores rendimentos será algo perfeitamente indispensável, uma vez que não serão os cerca de cem euros por mês que as irão afetar em termos de orçamento familiar.

Tal como já aconteceu com a gratuitidade dos manuais escolares, são medidas cegas que em nada beneficiam quem precisa de facto e beneficiam sempre quem menos necessita e pode pagar. Um estudo sério sobre as reais dificuldades de quem quer manter os filhos a estudar, levaria a que quem realmente tivesse maiores dificuldades fosse apoiado em todas as vertentes e não só na isenção de propinas.

 Enquanto contribuinte aceito ter de contribuir para ajudar quem mais necessita, sejam propinas, sejam manuais escolares sejam transportes, ou afins. Mas incomoda-me contribuir exatamente da mesma forma para quem nada precisa e terá exatamente os mesmos benefícios.

Mais uma vez não é sério o Governo no avanço destas medidas e menos sério ainda, o popular Presidente da República apoiar o populismo.

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