foto: msplanchard / Flickr //

Entre as inúmeras taxas que afligem os italianos, há uma que indignou uma pequena localidade veneziana: o “imposto da sombra” que, como o seu nome indica, taxa a sombra que os letreiros das lojas projectam sobre as calçadas.

 O comerciante Bruno Allegranzi gere desde 1979 uma loja de produtos para família em Conegliano, no nordeste da Itália, em plena região do vinho Prosecco, e a 2 de dezembro do ano passado recebeu uma carta na qual era intimado a pagar uma taxa que até então desconhecia: “o imposto da sombra“.

“Nem sabia do que se tratava, porque já tinha pago o imposto de publicidade. Fui aos escritórios e disseram-me que a projeção dos meus letreiros ocupam solo público, fazem sombra e por isso ocupam solo público”, conta o comerciante à agência EFE.

Allegranzi assegura que se sentiu “alucinado” e num primeiro momento achou que era uma piada já que, nos seus quarenta anos de atividade, nunca tinha recebido notificação similar – apesar de o imposto, de carácter nacional, ter sido introduzido em 1993.

O comerciante suspeita que isso se deve a que anteriormente a taxa ia incluída no grosso do imposto por ocupação do solo público e aparece agora separado, o que chamou a sua atenção.

Allegranzi entrou em contacto com a Confederação Geral de Empresas, Confcommercio, que o informou da origem desta polémica taxa – e que encetou já diversas iniciativas em nome dos comerciantes para pedir a imediata suspensão da imposto da sombra, que considera “surrealista”.

Segundo o presidente da Confcommercio em Conegliano, Luca Ros, este imposto “é aplicado aos letreiros que refletem ou podem refletir a sua sombra sobre o solo público”.

Quer haja sol ou o céu esteja nublado, quer chova ou que seja de noite, no momento de taxar, o que é levado em conta é se a hipotética sombra do letreiro, caso exista, é projectada sobre o solo público.

Em Portugal até já foi recentemente inventado um imposto sobre o sol e a boa vista, mas há que reconhecer que este imposto sobre a sombra dos italianos bate todos os outros impostos em termos de criatividade – e surrealismo.

// EFE

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