Pela cidade de Lisboa proliferam hoje as lojas de ‘souvenirs’, onde as leis da oferta e da procura privilegiam o baixo preço, esquecendo-se muitas vezes, segundo a associação regional de artesãos, os artigos nacionais e de produção artesanal.

De acordo com o responsável da Associação de Artesãos da Região de Lisboa (AARL), José Almendra, “há pouquíssimas lojas de artesanato em Lisboa cuja produção e venda seja exclusivamente artesanato”.

No entanto, referiu, apesar de “geralmente” as lojas de recordações não terem peças artesanais, costumam ter na montra a inscrição “artesanato”: “É um chamariz”.

“As lojas de ‘souvenirs’ por vezes misturam artigos de artesanato, mas uma quantidade mínima, é uma técnica camaleónica”, criticou.

Desde o início deste ano que a AARL tem na Câmara de Lisboa “um projeto para a criação do selo de artesanato de Lisboa”, de forma a regulamentar o que é ou não artesanato à venda na cidade, mas ainda não teve resposta.

De acordo com o representante da AARL, existem artesãos que têm uma produção própria de determinadas peças, “só que lhes é muito mais rentável comprar essas peças já feitas em termos industriais e misturar na própria produção artesanal”.

Para José Almendra, a produção de artesanato em Lisboa teve uma ligeira alteração há uns anos: “A partir do momento em que houve o ‘boom’ turístico e houve a crise, o artesanato deixou de se vender tanto a nacionais e passou a vender-se maioritariamente a estrangeiros, o artesanato de ‘souvenir'”.

O galo de Barcelos, o elétrico lisboeta e a sardinha são “os três grandes símbolos de Portugal e Lisboa procurados pelos turistas”. Depois existem as réplicas de monumentos da capital e da área envolvente como a Torre de Belém, a ponte 25 de Abril e o Cristo Rei.

Sobre a grande visibilidade do galo de Barcelos nas lojas da cidade, José Almendra comentou que “Lisboa tem que ter uma perspetiva mais universal e mais nacional” e que o galo de Barcelos é um símbolo nacional, assim como o touro em Espanha. “Mas símbolo lisboeta é o elétrico”, reforçou.

Segundo o responsável, verifica-se o fenómeno denominado “mínimo denominador comum”, ou seja, se se está num sítio onde as peças custam cinco ou dez euros e aparece uma de vinte euros, essa é tida como cara. Mas se se estiver num sítio em que as peças custam 15 ou 25 euros, a de 20 já não é cara.

Os turistas que apreciam os artigos de artesanato gostam de comprar diretamente ao artesão. “É muito diferente comprar uma peça a um criador do que comprar uma peça que está numa prateleira numa loja”, pois o artesão tem a oportunidade de explicar como foi feita a peça, disse.

Segundo José Almendra, não há uma tipologia nem há estudos para saber o que é que o turista prefere, mas “uma coisa é certa: se as lojas de ‘souvenirs’ proliferam é porque elas vendem. Isso também abafa a produção artesanal”.

O responsável referiu que “o artesanato vai ficar reduzido a uma mínima expressão, esmagado pela produção industrial e pelo ‘souvenir’ de fraca qualidade e a preços baixos”.

Em Portugal, existe uma certificação de produtos artesanais, através do Programa para a Promoção dos Ofícios e Microempresas Artesanais (PPART), criado pelo Governo em 1997.

Agência Lusa
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