A recém-criada Grande Loja Unida de Portugal vai ter uma aplicação que localiza os maçons nas redondezas e um site para receber inscrições.

Depois de sair da Grande Loja Legal de Portugal (GLLP), um dos dois maiores ramos da maçonaria no país, o maçon Paulo Cardoso – um venerável que tinha sido suspenso pelo atual grão-mestre, Júlio Meirinhos, depois de mais de 20 anos como membro – ajudou a fundar aquela que designa como “a terceira loja de maçonaria” do país: a Grande Loja Unida de Portugal (GLUP).

De acordo com o Expresso, a GLUP nasceu este verão e elegeu Paulo Cardoso, de 45 anos, como grão-mestre, depois de eleições disputadas através de um moderno processo eletrónico, “as primeiras deste género na história da maçonaria”.

“Queremos a refundação da maçonaria regular. Uma maçonaria que preze a ética, a verdade, a justiça e se aproxime da sociedade”, declara o economista, que se intitula “independente com alma e carinho social democrata”

A Grande Loja Unida de Portugal, que conta com “centenas de membros em todo o país”, planeia lançar uma aplicação para smartphones e tablets para divulgar o horário e local das sessões.

Paulo Cardoso conta ainda ao Expresso que a GLUP quer também desenvolver uma aplicação de georreferenciação, semelhante às que existem para os membros da maçonaria nos EUA e no Reino Unido, onde será possível a cada membro saber se tem “um irmão” nas proximidades para facilitar a entreajuda em caso de necessidade.

“No momento em que alguém entra nesta loja sabe que não estará sozinho no mundo”, explica Cardoso.

“Temos de dar o exemplo”

Paulo Cardoso, que se dedica à consultoria e a programas de investimento desde que se afastou do PSD, em 1996, promete mais transparência e combater os que usam a maçonaria para satisfazerem os interesses pessoais. “Não pode haver um só irmão com um comportamento menos correto cá dentro.Temos de dar o exemplo“, declara ao Expresso.

“A maçonaria é uma escola de aperfeiçoamento pessoal, mas o que muitas vezes passa para fora é a imagem de uma organização onde só interessa o poder e o negócio”, sublinha.

Para combater “essas lógicas de poder” – “interesses políticos obscuros” ficam à porta – promete que o processo de seleção será “longo e rigoroso”.

Apesar de sublinhar que não têm pressa em crescer, a GLUP pretende lançar um site onde qualquer pessoa pode contactar a loja e demonstrar o seu interesse em aderir.

Discórdia com Júlio Meirinhos

A Grande Loja Unida de Portugal pretende continuar a celebrar as tradições – as sessões onde não faltam “os aventais, o fato e a gravata preta” -, mas Paulo Cardoso evita falar sobre a tensão interna sentida nos últimos meses no seio da Grande Loja Legal de Portugal que levou à sua suspensão.

Na base da discórdia com o grão-mestre Júlio Meirinhos, de quem chegou a ser aliado, terá estado a votação de um decreto interno e a presença num “jantar branco” com “profanos” (pessoas externas à maçonaria) onde Cardoso é acusado de não ter cumprimentado o grão-mestre.

O Expresso descreve que a tensão estendeu-se a outros três veneráveis de três lojas – a Portugalis, a Niny Sequeira e a Marechal Teixeira Rebelo – que praticavam aquilo que os maçons designam como “rito português”, que faz alusão aos feitos dos portugueses ao longo da história.

No ano passado, o grão-mestre decidiu proibir este rito, e os quatro veneráveis foram alvo de processos disciplinares e de suspensão depois de escreverem uma carta contra a posição de Meirinhos.

O rito que causou discórdia na GLLP tem um lugar especial na nova loja maçónica.

“Temos mais ritos como o escocês ou o york, mas o português tem para nós um carinho especial”, explica Paulo Cardoso ao Expresso, insistindo na “portugalidade” e no “orgulho em ser português”.

ZAP

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